Em dezembro de 2021, a Polícia Federal em Sergipe deflagrou a Operação Bartimeu, que apurava desvios de dinheiro público por meio de contratos com o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Segundo as investigações, a fraude chegaria a 1,5 milhão de reais. Cinco meses depois, o assunto morreu e ninguém mais fala a respeito.
O nome da operação faz referência a uma passagem bíblica. O mendigo cego Bartimeu encontra-se com Jesus Cristo e lhe pede a cura. A graça é concedida e Bartimeu passa a enxergar. Com a visão recuperada, passa a seguir o filho de Deus.
A operação deveria também jogar luz aos supostos desvios cometidos pela entidade investigada. À época, Damares Alves ainda estava à frente do ministério. A Controladoria-Geral da União também participou das ações, que levaram ao cumprimento de 13 mandados de busca e apreensão, em Sergipe e Pernambuco. Agora, o caso está sob sigilo e ninguém se manifesta a respeito.
O Bastidor procurou a CGU, em Brasília, por e-mail, mas não obteve resposta sobre o andamento da operação. O único retorno veio pela Lei de Acesso à Informação, em que o órgão afirma não poder divulgar nada sobre o tema porque as investigações estão em curso e que quem poderia passar mais informações seria o Ministério Público Federal ou a Polícia Federal.
O MPF encaminhou nota afirmando que não vai se manifestar sobre a operação enquanto as investigações não se encerrarem. Já a Polícia Federal não respondeu ao e-mail.
A fraude
À época foi divulgado que uma Organização da Sociedade Civil (OSC) fez uma parceria com o Ministério da Mulher usando documentos falsos. O objetivo do contrato era garantir a qualificação de 600 jovens aprendizes para a inserção no mercado de trabalho. Os menores atendidos seriam de municípios de Sergipe, Brasília e da cidade de Três Rios, no Rio de Janeiro.
A entidade recebeu 1,5 milhão de reais do governo federal para dar início ao projeto. No entanto, as investigações encontraram indícios de que pelo menos 400 mil reais foram superfaturados. Também não foi comprovada a realização dos cursos profissionalizantes previstos no contrato, nem a frequência dos alunos.
Enquanto o silêncio sobre o caso permanece, a sociedade, no papel de Bartimeu, segue sem ver que fim levou o dinheiro e quem será responsabilizado pelo prejuízo.

