Muitos no PT não sabem, mas Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça de Dilma Rousseff e advogado do Partido dos Trabalhadores, é sócio de Willer Tomaz desde 2018. O advogado é conhecido em Brasília pela proximidade com Eduardo Cunha e Michel Temer – que estão entre os responsáveis pelo impeachment da petista. Também defende Arthur Lira e anda com Flávio Bolsonaro.

Willer foi delatado por Joesley Batista perante o Supremo, mas a denúncia do MPF decorrente desse acordo foi rejeitada pelo TRF1 sob o argumento de que o pedido do Ministério Público foi baseado apenas em delações. O empresário gravou o advogado numa conversa sobre, disse Joesley, propina a ser paga a um procurador que repassaria aos dois informações de investigação contra o dono da JBS.

Parte daqueles que sabem da sociedade entre Aragão e Tomaz – a maioria concentrada na cúpula petista – critica essa proximidade de Aragão. Fontes ouvidas pelo Bastidor disseram que a manutenção do advogado pelo partido deve-se à confiança conquistada por ele junto a Gleisi Hoffmann, embora questionada algumas vezes por lideranças petistas.

A presidente do partido aproximou-se do ex-subprocurador da República quando ambos foram ministros no governo Dilma. O fato de Aragão ter advogado para a deputada e o ex-marido dela, o ex-ministro Paulo Bernardo, também conta. Um interlocutor ligado ao partido disse que a sociedade entre Aragão e Tomaz é um “tema delicado” dentro do PT, que “pega muito mal” e causa um “incômodo enorme” devido à “vergonha” de petistas ao andarem junto daquele que caminha com antigos algozes.

Aragão e Tomaz disseram ao Bastidor que a sociedade de ambos é voltada apenas a ações penais sem viés partidário.

O ex-subprocurador classificou as informações sobre o incômodo na cúpula do PT como “intriga barata”. “Isso é público e não escondo de ninguém. Portanto, se quiserem fazer intriga, não vai funcionar”, complementou.

Tomaz disse que a sociedade com Aragão não resulta em “qualquer interferência na atuação no partido, assim como não há nenhum desconforto”. “Isso é fake news”, finalizou.

O PT não se manifestou.

Atualização às 11h15: Willer Tomaz contatou o Bastidor para pedir que fossem incluídas na notícia a informação de que ele nega qualquer relação com Eduardo Cunha, Michel Temer e Flávio Bolsonaro.

Atualização às 18h05: A assessoria de Eugênio Aragão pediu que fossem incluídos novos esclarecimentos. Por meio de nota, o advogado disse que sua “ligação profissional e pontual com o também advogado Willer Tomaz tem se dado exclusivamente em processos que não envolvam assuntos ligados a agremiações partidárias”. Prosseguiu: “É de praxe entre advogados que cuidam de ações em Tribunais Superiores a atuação de forma conjunta em casos onde as partes envolvidas são clientes comuns.” Aragão reforçou ter “sólido conhecimento na legislação eleitoral brasileira” e relembrou que foi coordenador jurídico de Lula e de Haddad em 2018. “Não há que se falar de suposta inexperiência em direito eleitoral de Eugênio Aragão, uma vez que é sabido que este foi Vice Procurador Geral Eleitoral de 2013 a 2016, atuando por 30 anos no Ministério Público Federal.”