Alexandre de Moraes aproximou hoje Jair Bolsonaro das milícias digitais ao abrir inquérito sobre as falas presidenciais que relacionaram vacinas contra a Covid e a Aids. O pedido de investigação partiu da CPI da Pandemia, que pediu a quebra dos sigilos das redes sociais do capitão reformado – o que foi negado por Moraes.
Segundo ele, como “não há dúvidas” de que o presidente seguiu o mesmo “modus operandi de esquemas de divulgação em massa nas redes sociais”. Por isso, continua o ministro, é “imprescindível” investigar essas ações, “especialmente diante da existência de uma organização criminosa – identificada no Inquérito 4.781/DF (que justificou a distribuição por prevenção desta Pet) e no Inquérito 4.874/DF.”
Os dois inquéritos citados por Moraes investigam, respectivamente, a disseminação de mentiras na internet e a existência de milícias digitais – grupos organizados para difamar autoridades e instituições para minar a democracia.
Em outro trecho da decisão, Moraes puxa a orelha de Augusto Aras – visto nos bastidores como inerte perante às falas e atos presidenciais. Tanto é que o ministro destaca ser “imprescindível” à PGR prestar todas as informações sobre eventuais investigações ao STF, mesmo as que resultem em “futuro arquivamento”.
A bronca foi dada porque a PGR abriu um procedimento rotineiro que antecede qualquer investigação formal – a notícia de fato – envolvendo o presidente da República e não detalhou o que apurou ou como tem trabalhado.
O ministro diz em sua decisão que “não basta ao órgão ministerial […] a mera alegação de que os fatos já estão sendo apurados internamente”, sendo necessário apresentar “documentos que apontem em quais circunstâncias as investigações estão sendo conduzidas, com a indicação das apurações preliminares e eventuais diligências que já foram e serão realizadas”.

