A federação formada por PP e União Brasil chega às vésperas da convenção estadual em Pernambuco sem um nome definido para a segunda vaga ao Senado na chapa da governadora Raquel Lyra, do PSD. O União indicou o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho e o PP insiste no nome do deputado federal Eduardo da Fonte. Há uma guerra entre os dois lados.
Miguel é o preferido de Raquel. Mas um acordo entre os dirigentes nacionais dos partidos estabeleceu que, em Pernambuco, o PP comandaria a federação. Assim, mesmo à revelia da governadora, o deputado Eduardo da Fonte tenta se impor como candidato.
Nos bastidores, aliados de ambos trocam acusações. O entorno de Eduardo da Fonte usa a Operação Vassalos, que investiga desvio de emendas parlamentares em contratos de Petrolina, para questionar a candidatura de Miguel Coelho. O entorno de Miguel resgata o passado do próprio Eduardo da Fonte, que foi réu no Supremo Tribunal Federal por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
A convenção da federação está marcada para 5 de agosto, quando o nome ao Senado deve ser oficializado. A Executiva Estadual já votou e deu cinco dos sete votos a Eduardo da Fonte. Miguel e seu irmão, o deputado federal Fernando Coelho Filho, se abstiveram. Antes disso, neste sábado (1º), o União Brasil faz sua própria convenção estadual, isolada, para reforçar o apoio a Miguel.
As acusações
Eduardo virou réu no STF em 2018, quando a Segunda Turma da Corte recebeu, por maioria, denúncia contra ele por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo a acusação, ele e um ex-executivo da Petrobras solicitaram ou receberam 300 mil reais do empresário Ricardo Pessoa, então presidente da UTC Engenharia.
Eduardo também foi alvo de outras denúncias da Procuradoria-Geral da República, todas rejeitadas ou arquivadas. Uma tratava de articulação para pagar 10 milhões de reais e enfraquecer a CPI da Petrobras de 2009, rejeitada pela Segunda Turma em dezembro de 2017. Outra tratava de organização criminosa ligada a indicações na estatal. Uma terceira, ao lado de Ciro Nogueira e Márcio Junqueira, tratava de embaraço a investigação de organização criminosa.
O caso de Miguel é mais recente, relacionado à Operação Vassalos, deflagrada pela Polícia Federal em fevereiro deste ano com autorização do ministro Flávio Dino, do STF. A investigação apura desvio de emendas parlamentares e pagamento de propina em contratos da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba, a Codevasf, e do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, o Dnocs. Também são investigados o pai de Miguel, o ex-senador Fernando Bezerra Coelho, e o irmão, o deputado federal Fernando Coelho Filho.
O Bastidor procurou nesta sexta-feira (31) Eduardo da Fonte e Miguel Coelho, mas eles não se manifestaram.

