As reclamações de investidores contra a EQR Capital começam a produzir efeitos concretos. Em menos de um mês, entre 30 de junho e 27 de julho, a Justiça de São Paulo proferiu seis decisões que atingem contas bancárias, imóveis e um endereço alugado pela empresa.
As medidas são liminares e não representam condenação. A Justiça ainda não reconheceu acusações de fraude ou de operação de pirâmide financeira feitas em algumas das ações.
Como o Bastidor mostrou, o presidente da EQR, Carlos Eduardo de Carvalho Vanzei, o Cadu, é investigado pela Polícia Federal por suspeita de crime contra o sistema financeiro. A companhia também é citada no inquérito.
Os processos contra a EQR na Justiça de São Paulo repetem um padrão. Investidores afirmam ter transferido dinheiro à empresa, recebido rendimentos durante alguns meses e, depois, enfrentado atrasos ou a recusa de pedidos de resgate.
Três das seis decisões determinaram bloqueios bancários. Numa delas, um médico afirma ter aplicado 1,2 milhão de reais em contratos que prometiam rendimento de 3% ao mês. O juiz mandou bloquear esse valor em contas da EQR. O pedido para atingir o patrimônio dos diretores foi rejeitado por falta de elementos.
Em Bauru, outro investidor obteve o bloqueio de até 270 mil reais. Ele afirma que a EQR assumiu uma carteira da Bank Private, pagou rendimentos durante meses e depois negou responsabilidade pelos contratos. A juíza considerou a conduta contraditória e determinou o bloqueio.
Uma terceira decisão bloqueou até 300 mil reais da EQR e da Bank Private. A autora diz que a EQR administrou seu investimento e pagou rendimentos até junho, mas depois informou que não faria novos pagamentos nem resgates. Para a juíza, eventuais problemas entre as empresas não poderiam ser transferidos à investidora.
Outras duas ações atingiram um haras em São Pedro, no interior paulista, registrado pela EQR por valor declarado de 35 milhões de reais.
Um investidor afirma ter aplicado 300 mil reais por meio de contratos com juros de 2,2% e 3% ao mês. Segundo a ação, o próprio painel da EQR indicava parcelas vencidas e não pagas. O registro foi citado pelo juiz como um dos elementos que sustentaram a decisão de restringir parte do haras.
O magistrado proibiu a venda ou a oferta em garantia de parte do imóvel até o limite da dívida. A decisão também destacou que, no mesmo período em que interrompeu pagamentos, a EQR onerou outro imóvel e registrou a aquisição do haras. Para o juiz, a rapidez dessas movimentações indicava risco para os credores.
Para o advogado Felipe Silveira, que acompanha processos de investidores contra a empresa, o conjunto das decisões revela um padrão já visto em outros casos. “Já vi esse roteiro antes – na Fictor e, antes dela, na AJX Capital. E não é só a movimentação patrimonial recente: a EQR reúne, uma a uma, as características clássicas de um esquema de fraude patrimonial contra investidores”, afirmou.
O mesmo haras também apareceu em uma ação de 2,24 milhões de reais. A autora afirma ter distribuído recursos entre EQR, Fictor e Naskar e não ter conseguido recuperar o dinheiro. O juiz mandou registrar a existência do processo na matrícula do haras e de outro imóvel. A medida alerta compradores e credores de que os bens podem responder pela dívida.
A sexta decisão envolve o aluguel de um imóvel. Um fundo imobiliário acusa a EQR de inadimplência e pediu o despejo. O juiz autorizou a desocupação liminar, desde que o proprietário apresente caução equivalente a três aluguéis. Depois de citada, a empresa terá 15 dias para pagar ou deixar o local.
Procurada, a EQR ainda não respondeu.

