A poucos dias da apresentação do relatório final, a CPMI do INSS não investigou Augusto Lima, ex-CEO do Banco Master e dono do Banco Pleno, essencial para esclarecer operações de crédito consignado do banco. Próximo ao PT da Bahia, Lima foi o responsável pela expansão do Master no crédito consignado para beneficiários do INSS.
Em 2018, Lima adquiriu a Ebal, estatal responsável pela rede Cesta do Povo e pelo cartão Credcesta, durante governos do PT na Bahia. A partir dessa operação, Lima transformou o Credcesta em um produto de crédito consignado voltado a servidores públicos, utilizando a base de funcionários do estado. Esse movimento consolidou sua atuação no setor e o projetou no mercado financeiro, abrindo caminho para sua chegada ao Banco Master.
Lima também manteve interlocução com governos do PT na Bahia, especialmente durante a gestão de Rui Costa, e com o senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado.
A CPMI perdeu acesso à quebra de sigilos bancários de Lima, aprovada em 26 de fevereiro e depois anulada pelo Supremo Tribunal Federal. O depoimento de Lima, previsto para 11 de março, foi suspenso após a concessão de habeas corpus.
O relator, deputado Alfredo Gaspar, afirma que, com base nos documentos analisados até agora, Lima foi um dos responsáveis por estruturar o modelo de crédito consignado que resultou em descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. Mesmo sem o depoimento ou dados, Gaspar diz que há elementos suficientes para a conclusão do relatório, previsto para ser lido no dia 25.

