A diferença de um ponto percentual entre o senador Flávio Bolsonaro e o presidente Lula na pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feria (22) já aparecia nas pesquisas internas do PT havia uma semana. Flávio tem 45% e Lula, 44%. Desde então, os levantamentos diários contratados pelo partido mantêm Flávio à frente.
Internamente, a campanha petista ainda considera a virada improvável. A disputa está tecnicamente empatada, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, mas membros da equipe esperavam que Lula chegasse à Quaest de hoje com números idênticos aos de Flávio. O instituto ouviu 2.154 pessoas entre 17 e 20 de outubro, por encomenda do grupo Globo. O Datafolha divulga nova pesquisa amanhã.
O aumento do valor do Bolsa Família e o pagamento antecipado na segunda-feira vieram depois que a equipe de Lula concluiu que ele precisa ampliar a vantagem sobre Flávio entre os 19,3 milhões de beneficiários. A campanha aposta que o efeito apareça entre sexta e sábado, véspera da eleição.
A dificuldade está em onde buscar os votos. Na Quaest, os indecisos somam 2%. Os que dizem que vão votar em branco, anular ou não votar são 9%. No segundo turno de 2022, brancos e nulos somaram 5,7 milhões de votos, 4,59% do total. No de 2018, foram 11,1 milhões, 9,57%.
A outra aposta da campanha são os 33,5 milhões de eleitores que não votaram no primeiro turno, 21,08% do eleitorado, a maior abstenção num primeiro turno desde 1998. Numa reunião com ministros, governadores e parlamentares em 5 de outubro, um dia depois da votação, a campanha decidiu montar uma força-tarefa para alcançá-los, em especial no Nordeste.
No primeiro turno, Flávio teve 56,1 milhões de votos, 47,03% dos válidos, e Lula, 53,9 milhões, 45,16%. Para virar, Lula precisa tirar de Flávio cerca de 1,65 milhão de votos, 3% do que o senador teve, ou levar às urnas de 10 a 12 milhões de ausentes. O histórico não favorece a segunda opção. Em sete segundos turnos presidenciais desde 1989, a abstenção subiu em seis. A exceção foi 2022.
Os ausentes deste ano se distribuem quase como o eleitorado que votou, sete em cada dez nos estados vencidos por Flávio. O Nordeste, alvo da mobilização, é a região que menos faltou às urnas, com 18,4% de abstenção. Na Quaest da semana passada, quem se absteve ou votou em branco ou nulo no primeiro turno se dividia em 43% para Lula e 38% para Flávio.
A campanha de Lula comemorou dois dados da Quaest. O primeiro foi a queda da rejeição do petista, de 53% para 47%, fora da margem de erro. A de Flávio oscilou de 54% para 52%, dentro dela. O segundo é que 44% dos eleitores dizem ter mais medo da volta da família Bolsonaro ao poder, e 42%, da reeleição de Lula. Na semana passada, havia empate em 43%.
Na sexta-feira, Flávio e Lula se enfrentam no debate da Globo.