Por mais que a ordem na campanha do presidente Lula seja a de explorar as alternativas que possibilitem a virada sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno, o próprio petista admitiu a pelo menos um dos seus coordenadores que a vitória é praticamente impossível.

Lula recebeu os resultados eleitorais do último domingo (4) com surpresa. Esperava um resultado apertado, mas com ele à frente de Flávio. Os trackings contratos pela campanha petista chegaram indicar, há um mês, uma tendência de migração dos votos dos demais candidatos para Flávio. Nas semanas seguintes, contudo, o movimento arrefeceu. No último sábado (3) somente, véspera da eleição, as pesquisas internas do PT voltaram a mostrar um cenário do adversário com um ponto percentual de vantagem sobre Lula.

Um aliado que esteve com o petista após a confirmação do segundo turno pelo Tribunal Superior Eleitoral relatou ao Bastidor que o presidente estava “perplexo”. Lembrou que perdeu para Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso, mas não admitia ser derrotado por Flávio, a quem trata como um político desqualificado. Reforçou que, diante do que saiu das urnas, uma virada é improvável, já que jamais ocorreu de 1989, sua primeira eleição presidencial, para cá.

Desde domingo, Lula teve ao menos três grandes reuniões para discutir o segundo turno. Num desses encontros, como mostrou o Bastidor, ficaram definidas as mudanças que ocorrerão na campanha do petista. Vai para o ataque contra Flávio associando-o à milícia, dará peso ao discurso da segurança pública, vai comparar as trajetórias dos dois, comparecerá aos debates e buscará, principalmente no Nordeste, os votos dos eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno.