Alguns dos trackings feitos pelo PT e pela campanha do presidente Lula nos últimos dias indicam a tendência de Flávio Bolsonaro ultrapassar Lula já no primeiro turno. Esses mesmos levantamentos mostraram o senador numericamente à frente do petista num eventual segundo turno.

Foi detectado um movimento do chamado voto útil migrando para Flávio. O maior temor é que, com a proximidade do pleito, que ocorre em 4 de outubro, eleitores que declaram voto em Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Romeu Zema passem a apoiar o senador nas próximas semanas e ocorra a virada.

Os trackings são feitos diariamente. Não são divulgados pois não são cadastrados no Tribunal Superior Eleitoral. São usados para direcionar internamente as campanhas.

No PT ainda não se discute a possibilidade de Flávio abrir uma frente capaz de encerrar a disputa no primeiro turno, afirmou ao Bastidor uma fonte da campanha. As conversas nos últimos dias, em especial nesta quinta-feira (10), trataram das chances reais de Lula ser superado já no primeiro turno.

Foi a partir desses números, atribuídos principalmente à crise no Supremo Tribunal Federal, que Lula foi convencido a se manifestar na quarta-feira (9) sobre as investigações a respeito do banco Master. O presidente cobrou a queda do sigilo das apurações. Até então, evitava tratar do assunto publicamente.

Os ajustes discutidos para a campanha, no primeiro turno, passam pela percepção do eleitorado em relação à proximidade de Lula com ministros do STF, principalmente com Alexandre de Moraes. Sabe-se que há pouco a ser feito nessas últimas semanas que possa elevar o índice de aprovação do governo. A reprovação limita um eventual crescimento do petista nas pesquisas. Por isso, a necessidade da manifestação sobre o STF e uma aposta em aumentar a rejeição de Flávio. Está decidido que esses dois polos nortearão a campanha do PT no segundo turno.

Discute-se, por exemplo, uma posição mais contundente de Lula sobre as suspeitas que recaem sobre ministros do STF envolvidos com o Master. O presidente ainda resiste em levar o caso para o horário eleitoral, mas integrantes da campanha, com o poder de comando, defendem que uma nova manifestação seja feita.

Algumas das principais pesquisas do país já mostraram Flávio à frente de Lula no segundo turno. Ainda não no primeiro.

Depois da primeira manifestação de Lula, o PT protocolou nesta quinta no STF três petições pedindo o levantamento do sigilo em praticamente toda a extensão do caso Banco Master. O movimento inaugura o novo discurso que será adotado pela militância e integrantes do partido, de que o presidente quer que todos sejam investigados.

Um dos pedidos pede a publicidade da Petição 16.669, sob relatoria do ministro Flávio Dino, estendendo o requerimento aos demais feitos conexos que ainda tramitam em sigilo. O outro mira o bloco de processos sob relatoria de André Mendonça, abrangendo nove petições distintas e o inquérito sobre a compra do Banco Master pelo BRB. Uma terceira peça comunica os dois pedidos ao presidente do STF, Edson Fachin, em cumprimento a uma determinação recente que centralizou na Presidência o exame de questões ligadas ao afastamento de dirigentes da Polícia Federal.

Também nesta quinta, numa reunião feita em Brasília com membros da campanha e do PT, concluiu-se que é preciso passar a defender mandatos a ministros de tribunais superiores. Não há convicção, contudo, de que será suficiente para recuperar o terreno perdido.