A Polícia Federal cumpre 49 mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (10) em inquérito que apura o direcionamento de 2 milhões de reais em emendas parlamentares ao financiamento do filme Dark Horse, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. Autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, a operação atinge o deputado federal Mário Frias, do PL de São Paulo, e a produtora Karina Gama, dona do Instituto Conhecer Brasil, o ICB.

A operação ocorre em um momento sensível nas relações entre o Supremo e a Polícia Federal. O diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, foi afastado por ordem do ministro André Mendonça, do STF, sob acusação de monitoramento ilegal pela produção de relatórios de inteligência apócrifos. Dino reagiu e determinou a reintegração do delegado. As duas decisões foram suspensas na quarta-feira (9) pelo presidente do STF, o ministro Edson Fachin.

“As investigações apontam a existência de uma organização criminosa, formada por agentes públicos e privados, suspeita de direcionar os valores recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular”, afirma a Polícia Federal em nota.

O caso começou a ser investigado pela Polícia Civil de São Paulo, a partir de representação apresentada pela deputada federal Tabata Amaral, do PSB de São Paulo. Dino avocou o processo e, em agosto, autorizou a Polícia Federal a ter acesso aos dados da investigação estadual, que envolve a produtora Go Up Entertainment, também de Karina Gama, responsável pelas gravações de “Dark Horse”.

Em junho, a Polícia Civil já havia feito uma operação contra o ICB, entidade ligada à Go Up Entertainment, dentro de inquérito que apura desvio de 108 milhões de reais em contrato entre a produtora e a prefeitura paulistana.

Além das emendas parlamentares, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro também financiou o filme, a pedido de Flávio Bolsonaro. Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf, identificou que o dinheiro de Vorcaro foi para o Havengate Development Fund, nos Estados Unidos, administrado pelo advogado Paulo Calixto, próximo de Eduardo Bolsonaro. Foram movimentados mais de 12,2 milhões de dólares, o equivalente a mais de 65 milhões de reais na cotação da época, destinados à produção do filme.

A operação ocorre um dia depois de o ministro André Mendonça homologar a delação de Antônio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, responsável pela distribuição de dinheiro de Vorcaro por meio da Entre Investimentos. Entre outros pontos, sua colaboração pode ajudar a esclarecer os pagamentos feitos pelo ex-banqueiro, a pedido de Flávio, para a produção do filme.

Procurados na manhã desta quinta-feira, Karina Gama e Mário Frias ainda não responderam.