Na manhã desta terça-feira (20), o presidente Lula autorizou o Tribunal Superior Eleitoral, o TSE, a divulgar seus sigilos bancário, fiscal e telefônico e os de seis familiares, relativos aos últimos oito anos, com a condição de que seu adversário na disputa pela Presidência, Flávio Bolsonaro, do PL, faça o mesmo. O relator do pedido é o ministro André Mendonça.

A petição formaliza o desafio que Lula fez a Flávio no fim do debate da Band, no domingo (18), e que reforçou na segunda-feira (19), em pronunciamento à imprensa, ao anunciar que protocolaria o pedido nesta terça.

Lula se comprometeu a abrir os próprios dados e os da esposa, Janja, e dos cinco filhos, incluindo Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, citado na investigação da Polícia Federal sobre o escândalo do INSS. De Flávio, a petição cobra os mesmos dados do pai, Jair Bolsonaro, da mãe, Rogéria, dos irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan e da esposa, Fernanda. A senadora eleita Michelle Bolsonaro ficou fora da lista. O pedido inclui ainda as empresas das quais os candidatos são sócios e as contas em que aparecem como “usuários máster”, o administrador da conta de uma empresa.

Na lista de empresas, o presidente já adiantou ser sócio não administrador de uma única empresa, a L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações. Para Flávio, são listadas quatro empresas no Brasil, entre elas um escritório de advocacia e a Bolsonaro Digital, e uma offshore na Ilha da Madeira, em Portugal, do advogado Willer Tomaz, em cuja conta bancária o senador “figuraria como ‘usuário master’”. A fonte é uma “apuração da Polícia Federal divulgada pela imprensa”.

“Há plena conformidade com o disposto no art. 14, § 9º, da Constituição Federal, que estabelece a probidade administrativa e a moralidade para o exercício de mandato, considerada a via pregressa do candidato, proteções de envergadura constitucional”, escreveu o presidente no pedido.

Procurada, a defesa de Flávio Bolsonaro não respondeu até a publicação.

Confira a petição do presidente Lula na íntegra.