Integrantes do governo de Jair Bolsonaro disseram ao Bastidor que a ideia da decretação do estado de defesa, conforme previa a minuta do golpe encontrada na casa de Anderson Torres, não foi adiante por rejeição dos comandantes das Forças Armadas.
O almirante Almir Garnier Santos, chefe da Marinha, e o brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior, comandante da Aeronáutica, rejeitaram de pronto quando tomaram conhecimento de que uma das ideias sobre à mesa para evitar a posse de Lula era a decretação do estado de defesa, tocado pelas Forças Armadas.
Sem a adesão dos outros comandantes, o general Marcos Antonio Freire Gomes, responsável do Exército, também disse não.
Uma das fontes ouvidas pelo Bastidor ocupou o primeiro escalão do governo de Bolsonaro e admitiu que, se houvesse o engajamento dos comandantes, o golpe estaria dado.
Na opinião desta fonte, a forte rejeição de comandantes das Forças Armadas estrangeiras, especial a dos Estados Unidos, que deixaram claro que não endossariam qualquer desrespeito ao resultado das urnas, pesou para que, embora houvesse desconforto com a desenhada vitória do petista, movimentos golpistas fossem barrados.
“Há muitos acordos de colaboração, troca de conhecimento e até tecnologia com forças armadas aliadas. Haveria um isolamento que os militares brasileiros da ativa não querem”, disse o ex-integrante do governo.

