O ex-ministro José Dirceu anunciou no domingo (15) que concorrerá este ano a uma vaga de deputado federal por São Paulo. É sua primeira eleição desde 2002, quando também se elegeu deputado e se tornou o ministro mais poderoso durante o primeiro mandato do presidente Lula (2003-2007).

Nos últimos dois anos, Dirceu voltou a ter poder dentro do PT e em torno do governo Lula. Dirceu recuperou seus direitos políticos em 2024, quando a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça decretou a prescrição de duas ações Lava Jato contra ele.  

Dirceu foi um dos fundadores do PT e seu presidente mais poderoso. Foi personagem central do poder do primeiro governo Lula como ministro-chefe da Casa Civil. Deixou o governo em 2005, acusado de ser um dos articuladores do esquema do Mensalão. Foi condenado a sete anos e 11 meses de prisão, dos quais cumpriu oito meses alternando entre os regimes fechado e semiaberto.

Voltou a ser preso em 2015, durante as investigações da operação Lava Jato. Enfrentou dos processos. Um deles foi por corrupção em contratos firmados entre a Petrobras e a Engevix. Em 2016, o lobista Milton Pascowitch, apontado pelo Ministério Público Federal como operador da construtora, disse em acordo de colaboração premiada que Dirceu pressionou para receber propina. Havia provas bancárias dos pagamentos, entre outras evidências.

O outro processo envolvia irregularidades em contratos de obras em refinarias e na construção de uma unidade de tratamento de gás. Entre habeas corpus e novos mandados de prisão, cumpriu outros 854 dias de detenção, até que o Supremo Tribunal Federal (STF) proibisse a prisão de pessoas que ainda não tinham condenação com trânsito em julgado.

Em 2024, o ministro Gilmar Mendes determinou a anulação de todas as condenações de Dirceu na Lava Jato, proferidas pelo então juiz Sergio Moro.

José Dirceu é pai de Zeca Dirceu, deputado federal pelo Paraná.