Cada vez mais poderoso e influente no governo Bolsonaro, Valdemar Costa Neto permite-se rir das reviravoltas políticas a que assiste. A pessoas próximas, admitiu ser “divertido” receber Tarcísio Freitas para conversar.

O ministro da Infraestrutura recebeu do presidente a ordem de se aproximar de Valdemar. Bolsonaro quer que Tarcísio seja seu candidato ao governo de São Paulo.

Obediente, Tarcísio está cumprindo a missão. Foi até Valdemar, no escritório dele em Brasília. O presidente do PL adorou: até outro dia, o ministro queria distância dele e de sua turma. Dizia a quem quisesse ouvir que não falava com “trambiqueiros”. (Tarcísio foi ministro dos Transportes de Dilma, quando Valdemar dominava um DNIT tomado por suspeitas de corrupção.)

A sós, Valdemar e seus aliados no PL não perdem a chance de mencionar, em tom jocoso, a mudança de postura de Tarcísio. E dizem não acreditar que Tarcísio vá em frente no plano de se filiar ao PL para concorrer ao governo paulista.

Apesar da insistência do agora correligionário Bolsonaro, Valdemar não quer a candidatura de Tarcísio. O PL em São Paulo apoiará o tucano Rodrigo Garcia – seja Tarcísio candidato ou não.

Se Tarcísio topar mesmo as condições agrestes dessa candidatura, Valdemar quer em troca indicar o sucessor do ministro na Infraestrutura.