A Polícia Federal cumpriu na manhã desta terça-feira (19), um mandado de busca e apreensão contra um perito da instituição, na 7ª fase da operação Compliance Zero. João Cláudio Nabas é suspeito de ter vazado informações sigilosas sobre o inquérito do caso Master à imprensa, no fim do ano passado. Ele foi afastado das funções.
O mandado foi expedido pelo ministro André Mendonça, relator dos inquéritos relacionados às fraudes do Banco Master, no Supremo Tribunal Federal (STF). O caso corre sob sigilo e a íntegra da decisão não foi divulgada. Portanto, não é possível saber quais indícios apontam para uma eventual atuação irregular do perito.
Segundo as investigações, Nabas vazou dados relacionados ao contrato do escritório da mulher do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci, com o banco de Daniel Vorcaro. As informações apontam que o Barci de Moraes recebia 3,6 milhões de reais mensais para prestar serviços ao Master. O contrato foi rescindido logo depois da liquidação do banco e da primeira prisão de Vorcaro. No período de vigência, o Master pagou 80,2 milhões de reais ao Barci de Moraes.
Em nota, o STF afirmou que a operação não tem “qualquer direcionamento investigativo contra jornalistas ou veículos de imprensa, permanecendo preservadas a liberdade de atuação jornalística e a garantia constitucional do sigilo da fonte”. A corte disse que é investigada apenas a suspeita de crime de violação de sigilo funcional do perito.
A Associação Nacional dos Peritos Federais Criminais (APCF) afirmou em nota que irá acompanhar o caso “e contrapôr qualquer cometimento de injustiça”. A entidade também disse que prestará apoio jurídico ao perito citado nas investigações. O Bastidor não encontrou a defesa de Nabas.

