A operação Spare, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo nesta quinta-feira (25), revela o papel da fintech BK Bank no esquema de lavagem de dinheiro com postos de combustíveis, que beneficia o PCC (Primeiro Comando da Capital). A BK Bank se tornou conhecida por ser usada por Mohamad Hussein Mourad, dono da Copape, foragido da Operação Carbono Oculto.
A BK Bank foi descrita pela Receita Federal e pelo Ministério Público como um “buraco negro” no sistema financeiro. Segundo as investigações do GAECO, a BK Bank disfarçava transações ilegais por meio de contas de difícil rastreamento — e, em cinco anos, girou 46 bilhões de reais.
A BK Bank operava contas bolsão: contas únicas que recebem e enviam dinheiro de vários clientes ao mesmo tempo, sem individualização. Por ela passaram recursos da Copape, da rede de postos Aster e de fundos e usinas do grupo, todos suspeitos de fraude e lavagem de dinheiro.
As investigações que levaram especificamente à operação desta quinta começaram após apreensão de duas maquininhas de cartão da PagSeguro em casas de jogos de azar em Santos (SP). As máquinas estavam vinculadas a dois postos – Auto Posto Carrara e Posto Mingatto – de Flávio Silvério Siqueira, alvo do mandado de busca hoje.
Os mais de 800 mil reais colhidos pelas maquininhas nas casas de apostas eram enviados das contas dos postos de Flávio na PagSeguro para a BK Bank -chamada, à época, de Berlin Finance. Durante a investigação, a BK Bank negou a titularidade da conta na PagSeguro, pediu seu cancelamento e registrou um boletim de ocorrência.
Apesar da cena, os promotores descobriram que o número de telefone registrado no cadastro da BK Bank na PagSeguro é o mesmo usado pelos postos de combustível de Flávio e o mesmo registrado nas máquinas de cartão.
Segundo um documento da investigação obtido pelo Bastidor, há indício de que o dinheiro coletado nas maquininhas, depois de transferido para a conta da BK Bank, seguia para uma conta da fintech no Banco do Brasil. Foram encontrados comprovantes de transferências armazenados em nuvem. Essa informação, no entanto, não foi confirmada pelos investigadores pela recusa da Justiça em quebrar o sigilo bancário completo da BK Bank.
A Receita Federal identificou que a BK Bank fez transferências para uma conta na XP Investimentos, o que levanta suspeitas de operações de lavagem de dinheiro no mercado financeiro. Segundo o órgão, as transações foram feitas sem a devida identificação dos verdadeiros investidores.
Durante a análise da contabilidade da instituição, a Receita verificou que a BK Bank mantinha um sistema paralelo de registros, no qual o controle individualizado de cada cliente era feito fora da contabilidade oficial. Esse mecanismo permitia movimentar recursos sem transparência, dificultando a verificação de quem eram os beneficiários finais dos valores.
Em nota, o PagSeguro afirmou que “não comenta sobre processos ou decisões judiciais”. A XP preferiu não se manifestar.
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