João Carlos Mansur, ex-dono da Reag Investimentos, assinou na quarta-feira (2) delação premiada com a Procuradoria-Geral da República, com foco em Daniel Vorcaro e no Banco Master. À frente da gestora que chegou a administrar 341,5 bilhões de reais, ele também prestou serviços à Copape e a Nelson Tanure. Pelo acordo com a PGR, Mansur vai pagar 40 milhões de reais em multa e indicar o caminho percorrido por bilhões de reais desviados por Vorcaro, que estão ocultos no Brasil em nome de terceiros ou por meio de fundos.

O acordo foi enviado para homologação do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal, e é o primeiro firmado no âmbito da Operação Compliance Zero. Na proposta de delação, entregue em 26 de agosto, o alvo já era Vorcaro. Nele, Mansur detalha operações de blindagem patrimonial.

Só no caso Master, além de Vorcaro, há pelo menos outros dois nomes que estiveram envolvidos em operações irregulares na Reag. Um deles é Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, que a Polícia Federal aponta ter usado fundos da Reag para ocultar uma propina de Vorcaro paga em imóveis, num esquema de 146 milhões de reais. O outro é Maurício Quadrado, ex-sócio do Master, dono da Trustee DTVM, que o Banco Central determinou a liquidação nesta quinta-feira (3), conforme noticiou o Bastidor.

Os demais clientes da Reag ajudam a medir o tamanho do que pode não vir à tona. Passaram pela gestora de Mansur Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo, apontados como líderes do esquema de combustíveis investigado na Operação Carbono Oculto, que identificou ao menos 40 fundos usados na ocultação de patrimônio do grupo.

Documentos judiciais mostram ainda que um ex-sócio da Reag atuou como diretor numa usina de açúcar e etanol controlada por Mohamad, o que sugere um envolvimento mais próximo do que o de simples prestadora de serviço. A relação de Mansur com a dupla já é objeto de uma delação separada, apresentada ao Ministério Público de São Paulo, na qual Beto Louco e Mohamad acusam Mansur e seu sócio de tê-los enganado, prometendo rentabilidade mínima de 25% ao ano e criando estruturas para blindar recursos das distribuidoras de combustíveis Aster e Copape contra bloqueios judiciais.

Tanure também é citado nas investigações sobre a Reag. A Polícia Federal já apontou que empresas dele foram beneficiadas por fundos controlados pela gestora de Mansur, no mesmo conjunto de operações ligadas ao Master. Foi nesse entorno que fundos depois geridos por Quadrado tiveram papel central em outro episódio, a valorização artificial das ações da Ambipar.

Tanure foi investigado em inquérito da Polícia Federal, aberto a pedido do Ministério Público Federal, para saber se não era o controlador de fato do Master. O empresário nega.

O Bastidor tenta contato com a defesa de Mansur.