O Ministério Público de São Paulo cumpriu nesta quinta-feira (27) dois mandados de busca e apreensão contra o advogado Lucas Nascimento da Costa e o empresário do ramo de cosméticos Polion Gomes Reinaux Gomes. Os dois são suspeitos de tentar atrapalhar as investigações contra Artur Gomes da Silva Neto, ex-auditor fiscal apontado como líder de um esquema bilionário de fraudes e corrupção na Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo.

Artur foi solto em 2 de junho deste ano e preso novamente em 10 de junho, por descumprir medidas cautelares impostas pela Justiça. Segundo as investigações do MP, ele mantinha contato com auditores fiscais e outros investigados por meio de cartas entregues por intermediários, entre eles Lucas e Polion. Artur foi denunciado em maio deste ano pelo Ministério Público por liderar uma organização criminosa que fraudou o recolhimento de ICMS e beneficiou empresas como a Fast Shop, a Ultrafarma e a rede de postos de combustíveis Rede 28.

O MP aponta que Lucas Costa criou um canal clandestino de comunicação entre Artur e outros denunciados, por meio do celular de Francisco de Carvalho Neto, companheiro de Artur e apontado como responsável por lavar o dinheiro resultante da propina cobrada pelo ex-auditor fiscal – crime pelo qual já firmou um acordo de não persecução penal.

Em 4 de junho, Artur passou a usar o telefone de Francisco para repassar a Lucas fotografias de cartas destinadas a outros investigados. Em uma delas, Artur orienta o auditor fiscal Fernando Alves dos Santos a não fechar um acordo de delação com o Ministério Público. Em outras cartas interceptadas, dirigidas às investigadas Maria Hermínia de Jesus Santa Clara e Fátima Regina Rizzardi, Artur promete a anulação de todas as operações contra o grupo e determina que as duas contratem seu advogado. Para os promotores, essa orientação caracteriza direcionamento de defesa.

Em 9 de junho, um dia antes do cumprimento dos novos mandados que resultaram na prisão de Artur, Lucas repassou a ele o número de telefone de Tatiane da Conceição Lopes de Araújo, denunciada no mesmo esquema e atualmente em prisão domiciliar. Os promotores destacam que Lucas não consta como advogado constituído de Artur em nenhum de seus processos.

A segunda linha de investigação mira Polion, suspeito de ajudar a organizar a fuga de Artur do país logo após sua saída da prisão. Polion foi condenado por estelionato pelo desvio de mais de 2 milhões de reais do Fundo Estadual de Saúde do Paraná. Conheceu Artur na Penitenciária II de Potim, onde ambos cumpriram pena.

Em 9 de junho, depois de deixar a prisão, Artur retomou contato com Polion pelo telefone registrado no nome de Francisco. Os dois combinaram um encontro na casa de Artur, em Ribeirão Pires, região metropolitana de São Paulo. Na ocasião, Polion enviou fotos e vídeos de um avião que, segundo os promotores, seria usado por Artur para deixar o país. A fuga deu errado porque Artur foi preso no dia seguinte, 10 de junho.

Ao tratar do risco de fuga, o MP cita o caso de Alberto Toshio Murakami, ex-agente fiscal apontado como operador do esquema de Artur dentro da Secretaria da Fazenda. Ele está foragido desde agosto de 2025. Mora em uma casa avaliada em cerca de 7 milhões de reais em Clarksville, no Tennessee, nos Estados Unidos. Seu nome consta na lista de difusão vermelha da Interpol.

O Bastidor procurou as defesas de Lucas Nascimento da Costa e Polion Gomes Reinaux Gomes por telefone e WhatsApp na manhã desta quinta. Nenhum dos dois respondeu até a publicação desta reportagem. A reportagem também procurou, por telefone, o escritório Adib Abdouni Advogados, que defende Artur, mas não obteve resposta.