O colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) deu prazo máximo de 60 dias para a gestora norte-americana Centaurus Capital realizar a oferta pública de aquisição (OPA) de ações da Oncoclínicas. Também determinou que o preço das ações seja atualizado pela taxa Selic desde novembro de 2024 e definiu que poderão participar da oferta os acionistas habilitados até a véspera do leilão. Será a maior OPA contenciosa de história do Brasil, caso efetivada. Embora a Centaurus seja a gestora, a conta será do Goldman Sachs, maior banco de investimentos do mundo.

Os detalhes constam da decisão divulgada nesta quarta-feira (26), um dia depois de o colegiado aceitar, por unanimidade, os recursos dos acionistas minoritários. A Superintendência de Registro de Valores Mobiliários (SRE) havia concluído que a Centaurus Capital não precisava fazer a OPA. O colegiado, formado por Otto Lobo, João Accioly e Igor Muniz, derrubou esse entendimento na reunião de terça-feira.

A CVM fixou 4 de novembro de 2024 como o fato gerador da obrigação. Naquele dia, uma reorganização dos investimentos de Goldman Sachs e Centaurus fez o fundo Josephina III, ligado à gestora norte-americana, passar a deter diretamente 31,83% da Oncoclínicas.

A decisão não fixa um valor por ação. Participantes do mercado afirmam que a operação pode chegar a 1,7 bilhão de dólares, equivalentes a 8,7 bilhões de reais. O estatuto estabelece diferentes critérios para chegar ao preço mínimo e determina que prevaleça o maior deles. Estimativas anteriores apontavam para uma oferta de cerca de 6 bilhões de reais, com preço superior a 16 reais por ação. Há estimativas de que o preço pode chegar a 20 reais por ação.

O estatuto da companhia prevê uma OPA quando um acionista alcança participação igual ou superior a 15%. A Centaurus sustentava que já mantinha exposição econômica superior a esse percentual antes da abertura de capital da Oncoclínicas e, por isso, estaria protegida por uma exceção do estatuto.

Outra frente da disputa corre na Câmara de Arbitragem do Mercado (CAM), da B3. Como revelou o Bastidor, Goldman Sachs e Centaurus recorreram à arbitragem no dia 21 de agosto.

Na tarde desta quarta-feira, a reportagem procurou o fundo Josephina III, por meio de sua assessoria de imprensa, mas não houve retorno.