O Ministério Público Federal do Paraná denunciou Mohamad Hussein Mourad, dono da Copape e da distribuidora de combustíveis Duvale, pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e adulteração de combustíveis. Ao todo, 18 investigados foram denunciados no âmbito da operação Tank, deflagrada pela Polícia Federal no fim de agosto.
Foragido desde então, Mohamad é acusado de liderar um dos braços do esquema de adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro no Paraná, cuja estrutura alimentava os cofres do PCC (Primeiro Comando da Capital). O Ministério Público afirma que a atuação de Mohamad integrava um robusto esquema que envolvia empresas do setor de combustíveis, instituições de pagamento e empresas de fachada.
A denúncia obtida pelo Bastidor revela que a Duvale — criada em 2020 — foi utilizada pelo grupo liderado por Mohamad para adulterar gasolina e etanol em 27 postos do estado. Investigações mostram que a Duvale assumiu protagonismo no mercado regional de combustíveis após Mohamad comprar a Aster Petróleo, uma distribuidora, e a Copape, empresa de petróleo e gás.
Segundo o MPF, a compra das duas empresas, em 2021, foi realizada por meio do fundo de investimento Location FIP, utilizado para ocultar a identidade do verdadeiro controlador. O fundo recebeu um aporte de 54 milhões de reais de Renato Steinle de Camargo, apontado na denúncia como laranja de Mohamad.
Registros do Coaf mostram que, no período da aquisição das empresas, Renato Steinle recebeu 45,5 milhões de reais de Silvana Corrêa, companheira de Mohamad. Os promotores afirmam que esses valores foram essenciais para consolidar o controle de Mohamad sobre a distribuição de combustíveis no Paraná.
Como resultado, a operação logística e comercial da Aster foi deslocada para a Duvale, que passou a atender grandes clientes, como a Rede 7, além de utilizar bases de armazenamento da própria Copape — fortalecendo a posição de Mohamad no setor.
As investigações apontam ainda que Mohamad movimentou milhões de reais em operações suspeitas, muitas delas intermediadas pela fintech Tycoon Technology, sediada em Curitiba. A Tycoon tem como acionistas Rafael Bronzatti Belon, Leonardo Bronzatti Belon, ambos filhos de Ítalo Belon, figura influente no braço operacional dos postos envolvidos no esquema no Paraná
De acordo com o MPF, a Tycoon recebeu valores expressivos em espécie, sem identificação dos depositantes, entre 2020 e 2025. O dinheiro era recolhido diretamente nos postos, muitas vezes por meio de carros-fortes, e depositado em contas da instituição de pagamento. Essas contas funcionavam como “contas-bolsão”, ocultando a identidade dos reais remetentes e destinatários — uma prática considerada irregular pelo Banco Central.
Desse montante, 665 milhões de reais foram transferidos para outra fintech, a BK Bank, também investigada por movimentar recursos de facções criminosas. A BK repassou 691,3 milhões de reais diretamente para as contas da Duvale.
A denúncia afirma ainda que empresas ligadas aos familiares de Mohamad — como GGX Global Participações, de seu primo Himad Abdallah Mourad, e Lega Serviços Administrativos, de seu irmão Armando Hussein Ali Mourad — receberam mais de 30 milhões de reais por meio das operações financeiras da Tycoon.
O MPF aponta que o principal aliado de Mohamad no núcleo das distribuidoras era Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, descrito como um dos maiores operadores de adulteração de combustíveis do país e associado ao PCC em investigações anteriores. Beto Louco detinha 65% de participação informal na Duvale, segundo planilhas apreendidas. Beto Louco também está foragido.
Em conversa interceptada pela Polícia Federal, João Chaves Melchior, gestor operacional da Duvale, informou a Beto Louco sobre um leilão de nafta — substância usada para adulteração de combustíveis — promovido pela Receita Federal, demonstrando, segundo o MPF, o comprometimento da empresa com práticas irregulares.
O Bastidor tenta contato com a defesa dos envolvidos.
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