A advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra se tornou ré em uma ação penal apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), acusada de atuar como operadora financeira do PCC (Primeiro Comando da Capital), a mando de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, principal líder da facção.

A decisão que tornou os suspeitos réus foi tomada na terça-feira (16) pelo juiz Deyvison Heberth dos Reis, da 3ª Vara Criminal de Presidente Venceslau, mas só foi divulgada nesta quinta-feira (18). O caso corre sob segredo de Justiça. Além de Deolane, foram denunciados Marcola, seu irmão, Alejandro Juvenal Herbas Camacho, dois sobrinhos e um operador financeiro.

Deolane foi um dos alvos da operação Vérnix, deflagrada no mês passado. De acordo com o Ministério Público paulista, ela, Marcola e outras quatro pessoas movimentaram pelo menos 327 milhões de reais, que foram bloqueados por ordem judicial. A influenciadora foi presa e teve um pedido de habeas corpus negado por unanimidade pelo Superior Tribunal de Justiça.

A investigação que culminou na denúncia recebida pela Justiça começou há sete anos, depois da apreensão de bilhetes manuscritos de Marcola e outras lideranças do PCC, na Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior paulista.

No caso de Deolane, os investigadores identificaram o uso de uma empresa de transportes para movimentar o dinheiro do crime. O MPSP afirma que a engenharia financeira envolvia, além do emprego de depósitos fracionados, transferências por Pix, uso de contas de terceiros, empresas interpostas e outras estratégias destinadas a dificultar o rastreamento dos valores.

Para dar lastro de legalidade, o dinheiro era usado para comprar imóveis e bens de luxo, parte deles ostentada por Deolane em redes sociais. A decisão também manteve o bloqueio dos bens dos investigados até o fim da ação penal.

Em nota, a defesa de Marcola e de seus parentes envolvidos na denúncia afirmam que o líder do PCC e o irmão, por estarem presos, não teriam condições de arquitetar todo o plano de lavagem de dinheiro. Os demais membros da família também alegam que o mero parentesco não serve como prova de envolvimento nos crimes apontados pelo Ministério Público.

Já a defesa de Deolane diz que a advogada foi alvo de uma prisão midiática e tenta a transferência dela para uma sala de Estado-Maior, dada a prerrogativa concedida a membros da Ordem dos Advogados do Brasil. Eles ainda alegam que ela é inocente e que todo o patrimônio de Deolane tem origem lícita.