A Polícia Civil de São Paulo prendeu, na manhã desta quinta-feira (21), a advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra, suspeita de movimentar dinheiro de uma empresa que lavava dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital). Ela e outras cinco pessoas foram alvos da operação Vérnix, que apura crimes de lavagem de dinheiro. Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de 327 milhões de reais dos suspeitos.

“Deolane funciona como caixa do crime organizado. O dinheiro dela acaba se misturando com o dinheiro de outras atividades ilícitas”, afirmou o delegado Edmar Caparroz. A Justiça determinou o bloqueio de bens de Deolane equivalentes a 27 milhões de reais.

O caso é desdobramento de uma investigação iniciada há sete anos, quando bilhetes manuscritos com instruções de lideranças do PCC foram apreendidos na Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. A partir dali, foram abertos três inquéritos e a Polícia Civil e o Ministério Público começaram a identificar uma rede de negócios com aparência legal usados pelo PCC para lavar dinheiro obtido no crime.

Segundo as investigações, em agosto de 2020, três operações foram feitas na conta bancária de Deolane por Ciro César Lemos, condenado por lavar dinheiro do PCC por meio de uma transportadora. Além das operações, que variavam entre dois mil e cinco mil reais, a polícia descobriu conversas que indicam que Deolane era parte do esquema. Foram identificadas também operações financeiras entre ela e Everton de Sousa, comparsa de um irmão de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, o principal líder do PCC. Everton está preso desde 2021.

De acordo com a polícia e o Ministério Público de São Paulo, Deolane operava recursos do PCC por meio de empresas ligadas a ela. Eram usadas várias empresas diferentes para dificultar a identificação da origem ilegal do dinheiro. Para dar lastro de legalidade, os suspeitos usavam o dinheiro para comprar artigos de luxo e imóveis, dos quais quatro foram bloqueados pela Justiça.

Entre os detidos estão um irmão e um sobrinho de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, o principal líder do PCC. Foi expedido também um novo mandado de prisão de Marcola, que está detido na penitenciária federal de Brasília.

Esta é a segunda vez que Deolane é presa por suspeita de lavagem de dinheiro. A primeira foi em 2024, quando ela foi apontada como integrante de uma quadrilha que operava dinheiro ilícito de casas de apostas irregulares. Ela ficou detida 19 dias e responde ao processo em liberdade.

A defesa de Deolane Bezerra ainda não se manifestou.