O advogado Nelson Wilians foi alvo, nesta quinta-feira (13), da operação Arena, deflagrada pela Polícia Federal contra um grupo suspeito de lavar e ocultar no exterior dinheiro proveniente de jogos de azar e apostas esportivas. O mandado de busca e apreensão contra Wilians, autorizado pela 4ª Vara Federal da Paraíba, foi cumprido em sua casa, em São Paulo.

Somadas as ações das autoridades nos últimos 12 meses, Wilians é tratado como suspeito em três casos: suspeita de lavagem dinheiro de bets, transações financeiras com um operador do escândalo do INSS e uma fraude fiscal contra ao governo de São Paulo.

Segundo a Polícia Federal, Wilians atua como operador financeiro da Pixbet, empresa de apostas sediada na Paraíba. Foram cumpridos também mandados na sede da Pixbet e nas casas de seus sócios. Outro alvo da operação é a Pixstar, apontada pela PF como empresa de fachada sediada em Curaçao, no Caribe, e usada para transacionar o dinheiro de apostas ilegais.

De acordo com a investigação, o esquema de lavagem funcionava assim: o dinheiro obtido com apostas era enviado por meio de empresas de compensação financeira para uma empresa de fachada sediada em Curaçao. Em seguida, os sócios das bets emitiam notas fiscais em favor dessa empresa de fachada. Assim, o dinheiro voltava como se fosse pagamento por serviços prestados.

Ao todo, a Justiça Federal da Paraíba expediu 17 mandados de busca e apreensão, além de determinar a quebra de sigilo telemático e bancário e o sequestro de bens equivalentes a até 1,1 bilhão de reais. A operação ocorreu na Paraíba, em São Paulo, em Sergipe, no Rio de Janeiro e no Paraná.

De acordo com a PF, os investigados podem responder pelos crimes de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e outros delitos contra o sistema financeiro nacional.

Em 2025, a revista Piauí mostrou que Wilians era sócio do dono da Pixbet, Ernildo Junior, na fintech XBank Digital Soluções em Pagamentos S.A., criada para receber o dinheiro das apostas e pagar os prêmios da Pixbet.

Em 15 de julho, Wilians foi alvo de buscas em uma operação do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo contra um esquema de venda de créditos fictícios de ICMS que deu prejuízo de mais de 3,8 bilhões de reais ao governo de São Paulo.

Wilians também é investigado no escândalo do INSS por operações financeiras entre seu escritório e empresas de Maurício Camisotti, preso e apontado como um dos principais operadores do esquema de descontos ilegais em benefícios pagos a pessoas pobres. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf, identificaram 15,5 milhões de reais transferidos por Wilians a Camisotti. Em setembro do ano passado, ele foi alvo de uma das fases da Operação Sem Desconto, que investiga os desvios no INSS.

Procurado, o advogado Santiago Schunck, que representa Wilians, não retornou o contato.