O advogado Nelson Wilians, alvo da operação Cambota, ficou calado diante das perguntas de deputados e senadores na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga as fraudes no INSS nesta quinta-feira (18). Wilians foi à CPMI amparado em um habeas corpus concedido pelo ministro Kássio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), que permita essa postura.
O único momento em que Wilians falou foi na abertura do depoimento, quando fez um discurso sobre sua história de vida e enalteceu suas finanças, como costuma fazer nas redes sociais.
Classificou as fraudes no INSS como um “atentado” e negou ter qualquer participação nas irregularidades descobertas nas operações Sem Desconto e na Cambota. “Lesar um aposentado já é por si só um crime gravíssimo. Lesar milhões de aposentados é um atentado de proporções inaceitáveis, que agride não só um indivíduo, mas toda a sociedade, a nossa nação”, disse.
Wilians entrou em silêncio logo na primeira pergunta do relator, Alfredo Gaspar, do União Brasil de Alagoas. O deputado questionou o motivo de Wilians se recusar a assinar o termo de compromisso em falar a verdade. O advogado disse que o fez por ser uma prerrogativa constitucional e por não querer cair no risco de dar alguma resposta com dados diferentes da realidade.
Gaspar insistiu no tema e, em poucos minutos, Wilians calou-se. Respondeu a quase todas as perguntas dizendo não ter nenhuma ligação com as fraudes do INSS e que permaneceria em silêncio.
Na fala inicial, Wilians disse que não conhece Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. Admitiu ter relações comerciais e ser amigo do empresário Maurício Camisotti, mas negou qualquer irregularidade.
Segundo a Polícia Federal, Camisotti é um dos beneficiários do esquema de fraudes. Wilians se tornou investigado por operações financeiras entre seu escritório e empresas de Camisotti. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mostraram 15,5 milhões de reais transferidos por Wilians ao empresário.
Wilians é dono de um dos maiores escritórios do país, com filiais em todos os estados, e mantém um vultoso contrato com o Banco do Brasil. Nas redes sociais, demonstra proximidade com o núcleo político do bolsonarismo e ostenta uma vida de luxo. Ao ser indagado sobre esse tema pela deputada Adriana Ventura, disse que gosta de falar a respeito da própria trajetória e de suas empresas.
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