O Senado aprovou na noite desta quarta-feira (20) a indicação de Otto Lobo para a presidência da CVM, a Comissão de Valores Mobiliários, 133 dias após o presidente Lula encaminhar o nome ao Congresso. Apesar do desgaste provocado pelo caso Master, Lobo foi confirmado pelo plenário por 31 votos favoráveis e 13 contrários.
Na mesma sessão, os senadores aprovaram Igor Muniz para uma diretoria da autarquia. Ele recebeu 39 votos favoráveis e 9 contrários. Mais cedo, os dois indicados foram sabatinados pela Comissão de Assuntos Econômicos, a CAE. Lobo teve 19 votos favoráveis e 4 contrários; Muniz recebeu 19 votos a favor e 1 contra.
A aprovação encerra um período de incertezas em Brasília. Até pouco tempo, Lobo era tratado nos bastidores como praticamente fora do jogo diante do desgaste provocado pelo caso Master. Como mostrou o Bastidor, ele acumulou decisões favoráveis ao Master e a empresas ligadas ao empresário Nelson Tanure durante o período em que atuou como diretor e presidente interino da CVM.
O cenário abriu espaço para discussões sobre alternativas ao comando da autarquia. Uma das hipóteses consideradas era transformar a indicação de Igor Muniz, inicialmente destinada à diretoria, numa indicação para a presidência da CVM.
A articulação, porém, perdeu força diante da rede de apoios de Lobo, que incluía o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, do União Brasil do Amapá, e os empresários Joesley e Wesley Batista, da JBS. Esses apoios foram mais fortes que a oposição inicial do Ministério da Fazenda a Lobo.
A oposição tentou barrar a votação com um pedido coletivo de vista durante a sessão da CAE na terça-feira (19). O presidente da comissão, Renan Calheiros, do MDB de Alagoas, afirmou inicialmente que analisaria o pedido na sessão seguinte.
Nesta quarta, porém, Renan rejeitou a solicitação e manteve a votação. Em plenário, o senador Eduardo Girão, do Novo do Ceará, pediu a anulação da deliberação da CAE, mas o requerimento foi negado por Alcolumbre.
Lobo assumirá a presidência da CVM num momento considerado decisivo para a autarquia. O órgão regulador do mercado de capitais é questionado por sua falta de atuação no caso Master. Recentemente, os ministros Gilmar Mendes e Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, fizeram manifestações públicas em defesa do fortalecimento institucional da autarquia.

