A empresária Andrea Cristina Alves Borges, 55 anos, é uma das principais responsáveis por manter as operações de postos de combustíveis ligados a Mohamad Hussein Mourad, dono da Copape, e Roberto Augusto Lema Silva, o Beto Louco, foragidos há 10 meses. É ela quem comanda a GGX Global Participações, empresa usada para manter em operação os negócios da dupla, segundo fontes com conhecimento direto das investigações ouvidos pelo Bastidor.

Desde agosto de 2025, quando fugiram pouco antes da Operação Carbono Oculto, Mohamad e Beto Louco venderam parte dos postos que controlavam. As unidades restantes são operadas sob o comando de Andrea, que organiza a arrecadação financeira e o pagamento dos funcionários que permaneceram na GGX, registrada no nome de Pedro Furtado Gouveia Neto, também alvo da primeira fase da Carbono Oculto. Há suspeita de que o dinheiro chegue até a dupla, que vive na Líbia, após a conversão em criptomoedas e por meio de empresas de fachada.

Nas investigações do Ministério Público e da Polícia Federal, Andrea é apontada como testa de ferro da dupla. Documentos aos quais o Bastidor teve acesso mostram que ela assumiu, nos últimos anos, o controle de empresas e contas que antes pertenciam a familiares e a outros laranjas de Mohamad usados para movimentar o dinheiro dos postos.

A primeira empresa identificada pelo Ministério Público de São Paulo é a Premium Administradora, registrada até janeiro de 2023 no nome de Amine Hussein Ali Mourad, irmã de Mohamad, e transferida para o nome de Andrea, situação que permanece até hoje. A Premium foi usada para justificar a origem do dinheiro de Renato Steinle de Camargo, apontado como laranja de Mohamad e comprador da Copape.

Em um documento, Steinle registrou ter recebido 5,7 milhões de reais de outras empresas ligadas à Premium. Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf, mostra que a Premium depositou 1,3 milhão de reais na conta de Steinle no Santander. O próprio banco informou que ele recebeu os valores para comprar cotas do fundo de investimento Location, usado na compra da Copape.

Há também a movimentação da conta da Insight Participações na Caixa Econômica Federal. No segundo semestre de 2021, a conta registrou cerca de 21 milhões de reais em créditos e cerca de 25 milhões de reais em débitos. Entre as principais remetentes de recursos estão distribuidoras de combustíveis ligadas ao grupo de Mohamad; a principal destinatária foi a GGX Global Participações, hoje usada por Andrea para operar os postos.

Segundo o Ministério Público, a Caixa informou que a conta da Insight era movimentada mediante procuração outorgada a Andrea, que trabalhou entre 2020 e 2022 no Auto Posto Unique de Serviços, posto de Mohamad operado por meio de outra empresa de fachada do grupo. A combinação da procuração com o vínculo empregatício em um posto do grupo, de acordo com o MP, indica que Andrea operava sob os interesses de Mohamad.

A própria proposta de delação de Mohamad e Beto Louco apresentada às autoridades, à qual o Bastidor teve acesso, também cita o nome de Andrea. A dupla afirma que Andrea era a responsável por pagar em espécie propina a auditores da Secretaria da Fazenda de São Paulo, por intermédio do advogado Márcio Maia, principal operador dos negócios da dupla.

O Bastidor enviou nove perguntas a Andrea Cristina Alves Borges por WhatsApp em 2 de julho e novamente nesta terça-feira, dia 7, além de tentar contato por telefone em diversas ocasiões nesse período. Até a publicação desta reportagem, ela não havia respondido.

Procurada às 15h desta terça-feira, a defesa de Mohamad e Beto Louco não se manifestou até a publicação. A reportagem não conseguiu contato com Renato Steinle e Pedro Furtado Gouveia Neto.