Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comandar a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o advogado e ex-diretor da autarquia Otto Lobo passou a atuar para conter a crise de imagem após a publicação de seu nome em edição extra do Diário Oficial, na quarta-feira (7).

Depois de uma onda de críticas, a indicação começou a receber manifestações públicas de apoio nesta semana. As declarações partiram de advogados, instituições financeiras e até de um superintendente da própria CVM.

Sócios de escritórios ouvidos pelo Bastidor dizem que, embora os elogios sejam legítimos, eles também refletem uma articulação direta de Lobo, que tem procurado agentes do mercado financeiro para pedir apoio público. A reportagem o questionou sobre essa movimentação, mas ele não comentou.

No início, a escolha foi mal recebida por parte do mercado. Críticos lembram que a passagem de Lobo pela CVM, inclusive como presidente interino, foi marcada por votos favoráveis ao Banco Master e a companhias ligadas ao empresário Nelson Tanure.

A Polícia Federal investiga executivos do Master e Tanure por suspeita de crime contra o Sistema Financeiro Nacional. Nesta semana, a PF deflagrou a segunda fase da Operação Compliance Zero. Entre os alvos estavam o dono do banco, Daniel Vorcaro, e o empresário.

A indicação de Lobo também gerou ruído com o Ministério da Fazenda. A pasta comandada por Fernando Haddad defendia o nome do advogado Ferdinando Lunardi. Além de Lobo, Lula indicou o advogado Igor Muniz para uma diretoria da CVM. As duas escolhas foram classificadas como indicações políticas.

Lobo e Muniz ainda precisam passar por sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Depois, as indicações serão votadas no Plenário. O quórum mínimo é de 41 senadores, maioria absoluta dos 81 parlamentares. Por isso, a busca por apoio público antes do processo ganhou força entre os indicados.

Entre as entidades e nomes que saíram em defesa de Otto Lobo estão a Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários (Ancord), o Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP), o advogado Maurício Moreira Menezes, da Moreira Menezes, Martins Advogados, e o superintendente de Supervisão de Investidores Institucionais da CVM, Marco Velloso, entre outros.