O grupo Fleury anunciou nesta segunda-feira (23), que entrou na operação de resgate da Oncoclínicas em parceria com a Porto Seguro. A entrada não altera a previsão de aporte de 1 bilhão de reais na rede de clínicas oncológicas, mas representa uma diminuição do risco e do investimento da Porto.

No domingo, 22, o Fleury assinou o termo de compromisso com a Oncoclínicas e a Porto. O documento não é vinculante, assim não há qualquer obrigação legal para a operação ser realizada. As companhias seguem na fase de negociação, auditoria interna e aprovação em conselho.

A Oncoclínicas busca uma saída para sua dívida de 4,8 bilhões de reais. A operação não prevê um aporte direito na empresa, mas a criação de uma nova empresa apenas com o negócio de clínicas oncológicas. Os hospitais permanecerão na estrutura atual.

A nova versão do acordo prevê um aporte de 500 milhões de reais pela Porto e pelo grupo Fleury por meio de uma holding. As companhias também vão comprar outros 500 milhões de reais em debêntures, caso a operação seja concluída. A holding terá o controle da nova companhia. A Oncoclínicas entrará com as clínicas e ficará como sócia minoritária.

O principal ponto de atenção do mercado é o passivo da Oncoclínicas. No desenho atual, o acordo prevê que a nova companhia herdará até 2,5 bilhões de reais da dívida da empresa-mãe, incluindo parcelas de aquisições, tributos, dívidas com fornecedores e outros instrumentos financeiros.

A origem da crise da Oncoclínicas passa pela relação com o Banco Master. Em 2024, após receber um aporte de 1 bilhão de reais do banco, a empresa aplicou de volta 478 milhões de reais em CDBs do próprio Master. A operação ampliou a dependência financeira entre as partes.

Com a liquidação do Master, em novembro, a situação de caixa da Oncoclínicas piorou. A aplicação nos papéis do banco, somada à contratação de empresas ligadas ao fundador da companhia, Bruno Ferrari, agravou a percepção de problemas de governança e abalou a confiança de credores, fornecedores e médicos.

Em meio à crise, Ferrari deixou o cargo de CEO. O oncologista Carlos Gil Moreira Ferreira, então diretor médico da companhia, assumiu interinamente. Ferrari segue como vice-presidente do conselho, enquanto a empresa busca um novo CEO.