A Porto Seguro informou, na noite de terça-feira (17), que as negociações com a Oncoclínicas para criar uma nova companhia preveem a transferência de até 2,5 bilhões de reais da dívida da empresa para a nova estrutura. Hoje, a dívida total da Oncoclínicas é de 4,8 bilhões de reais.
No início da semana, a Oncoclínicas anunciou que negocia com a Porto Seguro um aporte de 1 bilhão de reais. Os recursos não serão destinados diretamente à companhia: será criada uma nova empresa para reunir apenas o negócio de clínicas oncológicas, enquanto os hospitais permanecerão na estrutura atual.
O principal ponto de atenção do mercado é o passivo da Oncoclínicas, diante do risco de a nova companhia absorver uma fatia elevada da dívida. A Porto Seguro afirmou que a operação equivale a cerca de 3,1% de seu patrimônio líquido e, por isso, não é relevante para sua estrutura. Para a Oncoclínicas, porém, a operação pode aliviar a pressão financeira.
O acordo prevê um aporte de 500 milhões de reais pela Porto Seguro e a compra de outros 500 milhões de reais em debêntures, caso a operação seja concluída. Nesse arranjo, a seguradora terá a maioria dos votos nas decisões e pelo menos 30% do capital total. A Oncoclínicas entrará com as clínicas e ficará como sócia minoritária.
Como o acordo não é vinculante, nenhuma das partes é obrigada a concluir o negócio. A operação ainda depende de due diligence da Porto Seguro, aprovações regulatórias e aval de acionistas e credores da Oncoclínicas. A empresa se comprometeu a negociar com exclusividade por 30 dias.
A origem da crise passa pela relação com o Banco Master. Em 2024, após receber um aporte de 1 bilhão de reais do banco, a Oncoclínicas aplicou 478 milhões de reais em CDBs do próprio Master. A operação ampliou a dependência financeira entre as partes.
Com a liquidação do Master, em novembro, a situação de caixa da Oncoclínicas piorou. A aplicação nos papéis do banco, somada à contratação de empresas ligadas ao fundador da companhia, Bruno Ferrari, agravou a percepção de problemas de governança e abalou a confiança de credores, fornecedores e médicos.
Em meio à crise, Ferrari deixou o cargo de CEO. O oncologista Carlos Gil Moreira Ferreira, então diretor médico da companhia, assumiu interinamente. Ferrari segue como vice-presidente do conselho, enquanto a empresa busca um novo CEO.

