Depois de desistir de desistir de ser candidato ao governo de Minas, o senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos, vai enfrentar uma campanha com condições adversas. Líder nas pesquisas, com intenções de voto equivalentes à soma dos outros quatro concorrentes mais próximos, Cleitinho tem problemas na parte prática da campanha.
Cleitinho vai disputar o governo de Minas sem usar recursos do Fundo Eleitoral do Republicanos. A condição consta da nota divulgada pelo partido na noite de sexta-feira (7), quando a legenda confirmou a candidatura após ele reconhecer “equívocos” cometidos durante a articulação e pedir desculpas às cúpulas nacional e estadual do partido.
Na prática, isso significa que Cleitinho fará campanha sem a principal fonte de financiamento de qualquer campanha no Brasil. O Fundo Eleitoral é o dinheiro público que sustenta a maior parte dos gastos de campanhas. Para a eleição deste ano, o limite de gastos fixado pelo Tribunal Superior Eleitoral para um candidato a governador em Minas é de 14 milhões de reais – o segundo mais alto do Brasil, atrás apenas de São Paulo. Pelas regras, as doações só podem ser feitas por pessoas físicas. Ou seja: como não terá direito ao Fundo Eleitoral, a campanha de Cleitinho terá de captar esse valor de pessoas físicas, algo difícil.
Cleitinho também terá menor tempo de propaganda no rádio e na televisão, porque o Republicanos não fez alianças. Segundo a tabela de representatividade partidária para o horário eleitoral gratuito de 2026 do Tribunal Superior Eleitoral, a legenda aparece com bancada de 41 deputados federais eleitos em 2022, atrás dos maiores blocos como a Federação União Progressista, o Partido Liberal e a Federação Brasil da Esperança, do PT.
Em comparação, o governador Matheus Simões, do PSD, em quarto lugar nas pesquisas, tem uma coligação com oito partidos e federações – além do PSD, Novo, Avante, Mobiliza, Democracia Cristã, Agir e as federações Renovação Solidária e União Progressista, o que lhe garante maior tempo de propaganda no rádio e na TV.
Ou seja: sem fundo e com tempo de TV limitado, Cleitinho terá desvantagem sobre os concorrentes em dois instrumentos tradicionais de campanha. São dois fatores que fazem diferença, em especial em Minas, o segundo maior colégio eleitoral do país, com 16 milhões de eleitores, e com mais de 800 municípios.
A falta de dinheiro do partido e de tempo de propaganda no rádio e na TV são consequências da história da candidatura de Cleitinho. Considerado favorito desde abril, quando surgiram as primeiras pesquisas, ele titubeou, adiou sua decisão e procurou alongar os prazos. O impasse mais agudo se arrastava desde maio, quando o Republicanos e o Partido Liberal começaram a negociar uma aliança em torno da candidatura de Cleitinho.
O senador, no entanto, afirmou que só tomaria uma decisão depois de 19 de julho, quando começaram as convenções partidárias. Passado o prazo, Cleitinho se recusava a tomar uma decisão. Em 25 de julho, Cleitinho não foi à convenção estadual do Republicanos, que seria fundamental para definir sua candidatura. Em 27 de julho, o PL fez sua convenção estadual sem definir candidato, à espera de uma resposta do senador. Em 28 de julho, Cleitinho divulgou um vídeo feito por Inteligência Artificial, no qual dialogava com o pai e o irmão, ambos falecidos, que indicava que seria candidato. Em 29 de julho, o Republicanos informou que Cleitinho não seria candidato, pois não comparecera à convenção estadual do partido quatro dias antes.
Em 3 de agosto, Cleitinho gravou um vídeo ao lado de Marcos Pereira e do presidente estadual do Republicanos, deputado federal Euclydes Pettersen, no qual chorou muito e anunciou que não seria candidato, que desistia da disputa por não ter condições emocionais para enfrentar uma campanha diante do luto pela recente morte do irmão, Matheus Azevedo.
Como a convenção nacional do Republicanos já havia sido realizada, não havia mais possibilidade de formação de alianças com outros partidos. Na terça-feira (4), Cleitinho foi à convenção do Republicanos no Espírito Santo e pediu para ser candidato de novo, mas o partido negou. Na noite de sexta (7), o Republicanos divulgou a nota em que confirmava a candidatura de Cleitinho e informava que ele não teria acesso ao dinheiro do partido para a eleição.
O conjunto das condições, dinheiro escasso, exposição reduzida e poucas alianças consolidadas, aponta para uma campanha em que Cleitinho dependerá muito de sua popularidade nas redes sociais, onde tem 4,5 milhões de seguidores.
Na pesquisa Genial/Quaest, divulgada em 28 de julho, Cleitinho tem 35% das intenções de voto, contra 12% de Alexandre Kalil, do PDT, e 10% de Patrus Ananias, do PT, 6% do governador Matheus Simões, e 4% de Gabriel Azevedo, do MDB.

