O senador Cleitinho Azevedo, favorito absoluto nas pesquisas, não vai disputar o governo de Minas Gerais. Após uma reunião em Brasília nesta segunda-feira (3), Cleitinho e o presidente do Republicanos, deputado Marcos Pereira, publicaram um vídeo de quase seis minutos, no qual ele afirma estar sem condições psicológicas de enfrentar uma campanha eleitoral devido à morte do irmão Matheus há duas semanas.
“Não adianta eu entrar na campanha agora do jeito que eu estou. Não adianta eu querer cuidar de vocês se eu não estou cuidando de ninguém. Eu tenho que ser honesto com vocês”, diz Cleitinho chorando. O senador aparece no vídeo abatido, de tênis e moletom. Chorando muito, Cleitinho pouco consegue falar.
A gravação foi feita após a reunião. O vídeo é conduzido por Marcos Pereira, que narra a sequência dos fatos e procura deixar claro que a decisão de não concorrer é apenas de Cleitinho e pela questão do luto familiar. Afirma que o partido discutiu a candidatura e esperou por meses, até a semana passada, quando desistiu após após sucessivos adiamentos de uma definição.
Pereira afirma que o partido deu “todas as oportunidades” para que o senador disputasse o governo. Diz, em seguida, que a decisão de desistir partiu de Cleitinho. Antes de passar a palavra, pede que o próprio senador confirme que a escolha foi dele mesmo.
Cleitinho era o favorito ao governo de Minas. Na semana passada, uma pesquisa Quaest mostrou Cleitinho com 35% das intenções de voto no principal cenário, contra 12% de Alexandre Kalil (PDT) e 10% de Patrus Ananias (PT). Nas simulações de segundo turno, o senador também aparecia como favorito, com índices entre 44% e 46%. Republicanos e PL negociam agora apoio à candidatura de Marcelo Aro, do PP, ao governo de Minas Gerais.
Desde o fim da Copa do Mundo, o senador adiava uma resposta sobre concorrer ao governo, enquanto Republicanos e PL aguardavam a definição. O PL chegou adiou sua convenção estadual para esperar a decisão de Cleitinho, para ter um palanque forte para Flávio Bolsonaro em Minas.
Na semana passada, o Republicanos tornou público o desgaste com o senador. Em nota, o partido informou que não lançaria Cleitinho ao governo e afirmou que a candidatura “nunca foi formalmente assumida por quem deveria liderá-la”. A legenda disse respeitar o momento pessoal do senador, mas afirmou que precisava cumprir o calendário eleitoral e seguir outro caminho nas eleições.
Cleitinho reagiu à nota afirmando que continuaria candidato e intensificou articulações para tentar reverter a decisão do partido. No domingo (2), publicou fotografia ao lado do presidente do PL em Minas Gerais, deputado Zé Vitor, e do pré-candidato ao Senado Domingos Sávio. Mas, nesta segunda, Cleitinho desistiu de vez.

