O Partido Liberal oficializou neste sábado (25), em convenção em São Paulo, a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. O PL o escolheu depois de Jair Bolsonaro ser condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e ficar inelegível. A candidatura chega sem vice definido, sem coligação nacional fechada com o Centrão e dois dias depois de um pedido público de desculpas à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

O evento teve discursos de “união da direita”, ataques à esquerda e ao Supremo Tribunal Federal e homenagens a Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, subiram ao palco ao lado de Flávio e ergueram os braços juntos. Tarcísio disse que o senador dará continuidade ao “legado” do pai e citou sua experiência como deputado e como senador. Nunes ligou a eleição de Flávio à união da direita e defendeu uma bancada ampla no Senado. Eduardo e Carlos Bolsonaro gravaram vídeos dos Estados Unidos, exibidos durante o ato.

O presidente argentino Javier Milei também esteve presente, condecorado por Tarcísio com a Ordem do Ipiranga, maior honraria do governo paulista. A Justiça havia negado a Milei autorização para visitar o ex-presidente.

Michelle não compareceu, mas enviou um vídeo de apoio. Disse que ficou em Brasília cuidando de Jair Bolsonaro e que sua ausência “fala mais alto”, já que carrega “a força de mais de 58 milhões de brasileiros” que confiam nele. Pediu mais participação das mulheres na política, lembrando que elas são 53% do eleitorado. Desejou a Flávio “sabedoria, coragem e força” para a candidatura.

O racha começou em dezembro, quando o presidente do PL no Ceará, André Fernandes, defendeu uma aliança com Ciro Gomes para o governo estadual. Michelle se opôs. Em junho, ela publicou um vídeo dizendo ter se sentido desrespeitada e humilhada pelo enteado, que teria dito que ela não entendia de política. Na quinta-feira (23), Flávio gravou um pedido de desculpas e elogiou o trabalho dela à frente do PL Mulher, cargo que Michelle deixou durante a crise. Ela aceitou no mesmo dia.

O vice segue indefinido. As negociações com União Brasil, PP e Republicanos não avançaram. Tereza Cristina, do PP de Mato Grosso do Sul, recusou o convite mais recente. Daniela Marques, ex-presidente da Caixa, do Republicanos, aceitou, mas o partido ainda cobra contrapartidas nas eleições estaduais. A deputada federal Simone Marquetto, do PP de São Paulo, segue como outra opção. Rogério Marinho, coordenador da pré-campanha, disse que a escolha só sairá depois de fechadas as alianças partidárias e atribuiu parte do atraso às restrições de acesso a Jair Bolsonaro. Segundo Valdemar Costa Neto, será o próprio ex-presidente quem indicará o nome.

Por trás dessa dificuldade está o caso Dark Horse: Flávio pediu 134 milhões de reais ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para financiar o filme sobre o pai. Desse total, 61 milhões de reais chegaram a ser repassados. Um inquérito sobre os recursos segue aberto, e o União Brasil e o PP temem novas revelações envolvendo o senador. 

Como mostrou o Bastidor, dirigentes das duas siglas afirmam que a federação vai se manter neutra na disputa presidencial. Em alguns estados, ambas apoiam o presidente Lula e fazem oposição ao PL. A relação com o PP já estava estremecida desde maio, quando a Polícia Federal abriu uma operação contra Ciro Nogueira, presidente do partido, no âmbito das investigações sobre Vorcaro. À época, Flávio não demonstrou apoio ao senador piauiense.