O gestor judicial do Grupo Oi, Bruno Rezende, alertou nesta quinta-feira (9) o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro de que a companhia pode se tornar operacionalmente inviável a partir de 1º de agosto. Em petição juntada aos autos dos agravos interpostos pelo Itaú e pelo Bradesco contra a decisão que converteu a recuperação judicial em falência, Rezende informou que o caixa disponível caiu de 88,1 milhões de reais para 19,6 milhões ao final de junho.

 A manifestação ocorre doze dias após o desembargador Augusto Alves Moreira Junior, da 1ª Câmara de Direito Privado do TJRJ, suspender a homologação da venda da participação da Oi na V.tal para fundos ligados ao BTG Pactual, de André Esteves. Para o magistrado, como mostrou o Bastidor, a proposta do BTG de 4,5 bilhões de reais “parece insuficiente para a aquisição do bem mais valioso do Grupo Oi”. O edital de alienação estipulava o valor mínimo de 12,3 bilhões de reais.

A petição foi protocolada nos autos dos agravos de instrumento interpostos pelo Itaú e pelo Bradesco contra a decisão que converteu a recuperação judicial do Grupo Oi em falência, em novembro de 2025. É um processo distinto. O julgamento está paralisado desde 30 de junho, quando Moreira Junior pediu vista após a relatora, desembargadora Monica Maria Costa Di Piero, votar pela manutenção da falência. Um terceiro desembargador, Adriano Celso Guimarães, também aguarda vista. Se o colegiado confirmar o voto de Monica Di Piero quando os dois devolverem a vista, a Oi volta ao regime de falência com 19,6 milhões de reais em caixa.

Na petição, Rezende afirma que o colapso de caixa estava previsto para setembro de 2026, mas foi adiantado para agosto por uma combinação de eventos processuais que a gestão judicial classifica como “imprevisíveis e alheios” à sua atuação. Ele cita a suspensão da venda da V.tal, o julgamento ainda em aberto sobre a falência, a não conclusão da venda da UPI Serviços Telefônicos e o resultado negativo da alienação da UPI Oi Soluções. A decisão de Moreira Junior de travar a V.tal figura entre os fatores que, segundo Rezende, tornaram o fluxo de caixa projetado em abril irrealizável.

Foi esse mesmo agravo que impediu que a falência decretada pela juíza Simone Gastesi Chevrand, da 7ª Vara Empresarial do Rio, se consumasse. Na ocasião, Monica Di Piero concedeu o efeito suspensivo que manteve a recuperação judicial e determinou a venda ordenada dos ativos da Oi, com prioridade para a V.tal.

Moreira Junior concentra, portanto, as duas decisões que vão definir o futuro da companhia. O movimento da Oi é uma pressão para que o desembargador devolva a vista antes que o caixa se esgote.

Leia as manifestações protocoladas nesta quinta-feira (9):