A falta de acordo entre as lideranças da Câmara levou o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, a cancelar a sessão prevista para quinta-feira (9) que analisaria mais de 90 vetos presidenciais. Em reunião realizada na manhã desta quarta-feira (8), os líderes do Senado chegaram a um consenso sobre os itens que poderiam ser votados, mas os deputados não conseguiram fechar uma posição comum.
À tarde, Alcolumbre se reuniu com o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, e com o novo líder do PT no Senado, Camilo Santana, em meio à tentativa do Planalto de melhorar a relação com o comando do Congresso. A sessão foi adiada e pode acontecer apenas depois das eleições.
O item mais disputado era um veto que tratava do ressarcimento a aposentados e pensionistas vítimas de descontos ilegais promovidos por associações, apontado pelo governo como o de maior peso fiscal entre todos. Nele, Lula excluiu da lei o trecho que colocava sobre o INSS a responsabilidade por esse ressarcimento.
Até a véspera, Alcolumbre planejava manter a sessão mesmo sem acordo entre governo e oposição. A ideia era que os vetos sem consenso fossem votados um a um, ou retirados da pauta ao longo da própria sessão, em vez de resultar em outro adiamento. O presidente do Congresso recuou desse plano a pedido de Randolfe.
Segundo Alcolumbre, a negociação partiu da mesma lista de vetos discutida para a sessão de 18 de junho, também cancelada por falta de acordo. Durante as conversas desta quarta-feira, porém, líderes da Câmara passaram a defender a inclusão de outros vetos que não faziam parte daquele entendimento, o que reabriu o impasse.
Alcolumbre afirmou que o problema não foi uma divergência entre governo e oposição, mas entre Câmara e Senado. Segundo ele, houve casos em que o líder de um partido no Senado concordava com um acordo, enquanto o líder da mesma legenda na Câmara defendia posição diferente. Sem uma orientação única das bancadas, Alcolumbre optou por não convocar a sessão.
Randolfe confirmou que os próprios líderes da Câmara defenderam o adiamento durante as negociações. O governo tinha interesse na votação de projetos de crédito orçamentário, mas concordou em adiar a sessão diante da falta de entendimento sobre os vetos.

