O BRB informou na noite de terça-feira (7) que concluiu a auditoria contratada para investigar sua relação com o Banco Master. O relatório final foi encaminhado à Polícia Federal para adoção das medidas cabíveis.
Após a Operação Compliance Zero, o BRB contratou o escritório Machado Meyer e a consultoria Kroll para realizar a auditoria e esclarecer suspeitas levantadas pela Polícia Federal de que o banco público comprou 12 bilhões de reais em créditos podres do Master.
O relatório não foi divulgado, mas o BRB apresentou informações preliminares ao longo das investigações. Em fevereiro, a auditoria mostrou que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, Maurício Quadrado, ex-sócio do Master, e João Carlos Mansur, da Reag, detinham juntos cerca de 14,5% do BRB. Segundo a apuração, essa participação ocorria de forma indireta, por meio de fundos sobrepostos e empresas intermediárias.
Além de apurar a compra de carteiras podres, a auditoria identificou a entrada de Vorcaro e de pessoas ligadas a ele na estrutura societária do BRB. Segundo a auditoria, o padrão identificado funcionava assim: um fundo ligado ao Master comprava ações do BRB e as revendia a outro fundo, que financiava a operação com crédito de empresas relacionadas. De acordo com a apuração, os ativos circulavam entre diferentes veículos até perderem a rastreabilidade direta.
A auditoria apontou que esse modelo formava um circuito fechado de capital. Segundo as informações divulgadas, fundos ligados ao Master aportaram 1 bilhão de reais no BRB, o que ampliou o patrimônio e a capacidade de crédito do banco. Depois, o BRB comprou carteiras do próprio Master. Segundo a auditoria, isso produziu um retorno indireto dos recursos ao ecossistema do Master.
De acordo com a auditoria, o caso revela uma captura parcial do BRB por meio de estruturas financeiras opacas, combinada com operações comerciais entre partes relacionadas.
Segundo reportagem do jornal O Globo, o relatório final responsabiliza 30 dirigentes do BRB pelas operações problemáticas entre a estatal e o Master. Parte desses executivos já foi demitida; outra parte foi afastada e aguarda um processo de sindicância.
O Bastidor busca as defesas de Daniel Vorcaro, Maurício Quadrado e João Carlos Mansur.

