A Polícia Federal procura o empresário Marcelo Paez Fernandez Conde, suspeito de comprar e vazar dados fiscais sigilosos de ministros do Supremo Tribunal Federal, seus familiares, do procurador-geral da República, Paulo Gonet, além de deputados e integrantes do Tribunal de Contas da União (TCU), entre outras autoridades.

Conde foi um dos alvos de nova fase da operação Exfil, nesta quarta-feira (1). Ele é suspeito de comprar, por exemplo, dados da advogada Viviane Barci, casada com o ministro Alexandre de Moraes, que autorizou a operação. Conde é filho do ex-prefeito do Rio Luiz Paulo Conde e não foi encontrado. A polícia acredita que ele esteja fora do Brasil.

Em nota, o Supremo afirma que Conde montou uma rede de intermediação estruturada, com a participação de servidores públicos e terceirizados, além de despachantes. Por meio dessas pessoas, ele teve acesso a declarações fiscais de, pelo menos, 1.819 pessoas físicas, incluindo as autoridades e parentes delas.

A investigação mostrou que Conde pagava 4,5 mil reais aos servidores aliciados para ajudar a vazar os dados, que eram obtidos em sistemas da Receita Federal e do Conselho de Controle de Atividades Fiscais (Coaf). A intermediação era feita por contadores.

Na primeira fase da operação, em fevereiro, a PF havia tomado medidas contra um servidor do Serpro e três da Receita Federal suspeitos de vazar os dados.

Marcelo Paez Conde também atua como presidente da ONG “Rio – Vamos Vencer”, que tem como diretor o empresário José Koury, um dos alvos do inquérito que apurava a organização de milícias digitais com o objetivo de divulgar notícias falsas para beneficiar o governo de Jair Bolsonaro.

Por meio de nota, a defesa de Marcelo Paez Conde disse que ainda não teve acesso à decisão do ministro Alexandre de Moraes.