A Polícia Federal recebeu sinais de que a condução do inquérito do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF) voltará aos padrões normais sob a relatoria do ministro André Mendonça. Duas fontes da PF ouvidas pelo Bastidor afirmam que, daqui em diante, os depoimentos ficarão sob responsabilidade dos delegados, que poderão escolher local e horário, e que a corporação indicará os peritos que trabalharão no caso.

As medidas foram acertadas na reunião entre delegados do caso e Mendonça, no dia 12. A equipe de investigação tem mantido frequente contato com integrantes do gabinete do ministro. Em resumo, a PF deve voltar a ter controle sobre a condução operacional da investigação, como é normal.

É uma mudança significativa. Durante os dois meses que o inquérito esteve sob a relatoria do ministros Dias Toffoli, os procedimentos eram incomuns. Toffoli marcou ele mesmo datas de depoimentos, determinou a presença de um juiz auxiliar seu nas oitivas, sugeriu perguntas aos investigados, ordenou uma acareação entre os investigados, escolheu os peritos do caso e mandou que o material apreendido pela PF ficasse sob custódia da Procuradoria-Geral da República – não da própria polícia, como é normal.

A única questão ainda sem definição, segundo os investigadores, é justamente sobre a custódia do material apreendido e periciado. O ministro André Mendonça ainda não disse se mandará que as provas sejam levadas de volta para a Polícia Federal ou se permanecerão sob guarda da PGR.

A Polícia Federal planeja entregar a Mendonça até segunda-feira (23), um relatório detalhado com o estágio atual das investigações, as principais diligências já realizadas e as pendências do inquérito. A corporação deve encaminhar também uma nova rodada de pedidos de quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático.