Pré-candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro pretende repetir a estratégia usada pelo pai de ter um “Posto Ipiranga” para falar de economia durante a campanha eleitoral. Assim como Jair Bolsonaro fez em 2018 com Paulo Guedes, Flávio quer anunciar seu candidato a ministro da Fazenda no início da campanha eleitoral.

Em entrevista ao influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo na terça-feira (6), Flávio afirmou que pretende anunciar o ministro da Fazenda junto com o vice da chapa. Segundo ele, a ideia é apresentar um titular alinhado à agenda liberal de Paulo Guedes, que chefiou a economia no governo Jair Bolsonaro. O senador disse já ter um nome em mente, mas não o revelou.

Em 2018, Paulo Guedes funcionou com o interlocutor de Bolsonaro com o mercado financeiro. No governo, porém, o ministro e sua agenda liberal perderam espaço e prestígio ao longo do tempo.

A tentativa de escolher um “Posto Ipiranga” – como Bolsonaro se referia a Guedes – é uma forma de Flávio tentar quebrar a resistência da Faria Lima. O mercado financeiro prefere como candidato o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Deixou isso claro com queda da bolsa e alta do dólar quando Flávio se lançou candidato, com o apoio do pai, e em outras ocasiões depois.

Flávio tenta se aproximar. Em dezembro, participou de um almoço com investidores na sede do banco suíço UBS, em São Paulo, que reuniu cerca de 30 pessoas. Foi acompanhado de Gustavo Montezano, ex-presidente do BNDES.

No mesmo mês, reuniu-se com o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, e participou de um almoço com empresários na casa de Gabriel Rocha, sobrinho de Flávio Rocha, do Grupo Guararapes, controlador da Riachuelo e aliado de longa data de Jair Bolsonaro.

Entre os cotados para ser o Posto Ipiranga de Flávio, segundo um dirigente do PL em São Paulo, está o próprio Gustavo Montezano. Também é citado o economista Adolfo Sachsida, ex-ministro de Minas e Energia na gestão Jair Bolsonaro.

Sobre a escolha do vice, Flávio afirmou que a decisão só ocorrerá após 4 de abril. Disse que pretende buscar um nome que complemente o perfil da candidatura. Ele criticou a escolha do general Walter Braga Netto para a vice de Bolsonaro em 2022 e afirmou que o militar não agregou eleitoralmente. Para o senador, o vice precisa acrescentar atributos ao cabeça de chapa.