O voto do ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União, foi referendado pela maioria dos colegas no processo que discutiu o modelo de licitação para operar o Tecon 10, no Porto de Santos, avaliado em 6,45 bilhões de reais.

O modelo defendido por Dantas, como mostrou o Bastidor, é o preferido da JBS Terminais, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, que já demonstraram interesse em entrar no Porto de Santos. Na prática, o voto do ministro abre espaço para os donos da holding J&F operarem o Tecon 10, área destinada a se tornar um novo terminal de contêineres, planejado para ser o maior arrendamento portuário já realizado no Brasil.

Acompanharam o voto de Dantas os ministros Walton Alencar, Augusto Nardes, Jhonatan de Jesus, Aroldo Cedraz e Vital do Rego. Saíram derrotados os ministros Antônio Anastasia, relator do caso, Benjamim Zymler e Jorge Oliveira. Esses acompanharam a recomendação da auditoria de técnicos do próprio TCU e do Ministério Público junto ao tribunal.

Além dos irmãos Batista, a filipina ICTSI, que já opera terminais no Rio de Janeiro e em Pernambuco, também tem interesse no Tecon 10.

Hoje, os principais terminais de contêineres de Santos são controlados por empresas associadas a grandes armadores internacionais, como ocorre em outros grandes portos. A BTP, por exemplo, pertence à Maersk e à MSC, dois dos maiores donos de navios do mundo. A Santos Brasil foi adquirida pela francesa CMA CGM, e a DP World também opera integrada com linhas de navegação.