Poucos empresários foram tão associados ao Banco Master nos últimos anos quanto Nelson Tanure. O empresário esteve ligado a aportes e operações que contribuíram para a ascensão de Daniel Vorcaro, preso nesta semana pela Polícia Federal.
Tanure foi apresentado a Vorcaro por Maurício Quadrado, head de investimentos do Master. A aproximação ajudou a consolidar o banco num nicho de atuação agressiva em ativos judiciais, operações estruturadas e empresas em reestruturação, um modelo de negócio em que Tanure sempre atuou.
Tanure foi investigado em inquérito da Polícia Federal, aberto a pedido do Ministério Público Federal no ano passado, para saber se não era o controlador de fato do Master.
“Há indícios de que Nelson Tanure seria o real controlador da referida instituição financeira, tendo se valido da Aventti, do fundo Estocolmo e da Banvox para adquirir o controle societário”, escreveu o procurador Marcos Salati, do MPF.
Vorcaro e Tanure atuaram em consonância na Ambipar. Foi o que disse relatório da equipe técnica da Comissão de Valores Mobiliários, a CVM, em junho.
A compra de ações da Ambipar foi feita pela Trustee DTYM, ligada à estrutura do FIP Estoa, cujo beneficiário econômico é Tanure. Segundo o relatório, a operação envolveu uma atuação conjunta entre o Master e o empresário para valorizar o papel antes da Oferta Pública de Aquisição de Ações da Ambipar.
Um trecho do relatório destaca que Tanure teria mantido, junto ao Master, “uma relação comercial estreita” por meio de fundos operados pela Trustee, como o Fundo Estocolmo e o Estoa, ambos utilizados em operações de crédito estruturado e aportes financeiros relevantes no mercado. Também afirma que “grande parte do patrimônio líquido do Master” foi alocada na compra maciça de precatórios e debêntures ligados às operações conduzidas por estruturas associadas a Tanure.
A documentação reforça que o Master executava operações em alinhamento direto com Tanure, com o objetivo de sustentar negócios que dependiam da valorização de determinados ativos. A CVM descreve a estratégia como “interdependente e coordenada”, citando que o Master estruturou empréstimos, financiamentos e emissões de CDBs lastreados em ativos adquiridos pelas empresas ligadas a Tanure, em valores que chegam a bilhões de reais.
O texto também relata que o patrimônio líquido do banco foi amplamente mobilizado nessas operações, passando de 2,3 bilhões de reais para 4,7 bilhões de reais , enquanto Tanure, por meio de seus fundos, simultaneamente ampliava posição em companhias listadas que se beneficiariam dessa estrutura. O relatório conclui que as ações de Tanure, do Banco Master e da Trustee foram “concatenadas” e que os três agentes “atuavam de forma integrada” em operações relevantes de mercado.
Atualização às 15h de 21 de novembro: Em nota, Tanure disse que nunca “teve participação societária, influência, gestão ou qualquer tipo de vínculo” com o Master. Leia aqui a íntegra.
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