A investigação da Polícia Federal sobre o maior roubo ao sistema financeiro do país tenta esclarecer quem colaborou com a fuga dos criminosos para a Argentina. A aeronave PP-BMG, usada na fuga de sete pessoas envolvidas no golpe, registrada no nome empresa Bravo Fly, não tem autorização para operar como táxi aéreo, conforme consta nos registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
A ausência dessa autorização indica que o voo realizado em 5 de julho — cinco dias após o roubo de 813 milhões de reais — pode ter ocorrido de forma clandestina, por contratação irregular de serviço de táxi aéreo. Outra possibilidade é que o deslocamento tenha sido custeado por um proprietário de aeronave que emprestou o jato, por intermédio de outros donos, em troca de um ressarcimento futuro — prática conhecida no meio da aviação como “troca de horas de voo”.
Esse mecanismo funciona da seguinte forma: uma pessoa possui uma aeronave, mas não pode utilizá-la em determinado momento. Nesse caso, toma emprestada a aeronave de outra pessoa, com a promessa de compensar as horas de voo posteriormente. Normalmente, a primeira pessoa arca apenas com taxas e combustível.
A Bravo Fly informou ao Bastidor que o avião foi emprestado à Sagrado Serviços Aéreos em um acordo de troca de horas de voo e negou qualquer envolvimento com a fuga. A Sagrado Serviços Aéreos afirmou ter feito também um esquema de troca de horas com outro proprietário de aeronave, mas ocultou seu nome.
Os dois pilotos que conduziram o voo da fuga são contratados da Bravo Fly. O jatinho partiu de Belo Horizonte e foi até Goiânia, onde a quadrilha embarcou. Em seguida, fez uma escala no Aeroporto Internacional Afonso Pena, em Curitiba; depois seguiu para o aeroporto de San Fernando, em Buenos Aires, na Argentina. Todos os passageiros passaram pela alfândega da Polícia Federal e registraram sua saída do país. Como ainda não haviam sido identificados pela polícia, não havia alertas de que eram procurados.
Segundo dados da investigação obtidos pelo Bastidor, estavam no voo sete integrantes da quadrilha: um dos chefes, Ítalo Jordi dos Santos Pireneus, conhecido como Breu, sua esposa, Thaís Penalva Lima, Marcus Vinicius Machado, Flávia Silva Nogueira de Jesus, Daniel Mizael dos Santos, Vitor dos Dussantos Ciliria e Ana Clara Rocha Figueiredo.
Uma testemunha que acompanhou a fuga relatou à reportagem, sob condição de anonimato, que os criminosos estavam tranquilos no embarque no aeroporto de Goiânia e carregavam pouca bagagem.
A partir da Argentina, o grupo se dispersou pela Europa. Ao todo, oito integrantes foram presos no exterior – entre eles o próprio Breu – durante a segunda fase da operação Magnas Fraus, em 30 de outubro.
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