A Interpol atendeu ao pedido do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e inseriu a deputada federal Carla Zambelli, do PL de São Paulo, na lista de criminosos procurados. Ela pode ser presa em quase qualquer país do mundo.

Zambelli é alvo de uma ordem de prisão emitida por Moraes na quarta-feira (4), um dia depois de anunciar que havia saído do Brasil, sem previsão de volta. Em maio, ela foi condenada a 10 anos de prisão pelos crimes de invasão hacker e falsidade ideológica.

A pedido da Procuradoria-Geral da República, Moraes mandou abrir um inquérito para investigar a fuga de Zambelli. Nesta quinta-feira, ele mandou intimar o ex-presidente Jair Bolsonaro, para saber se ele teve alguma participação.

Ele já estava com depoimento marcado para esta quinta-feira, para falar sobre a situação do filho, Eduardo, que também deixou o Brasil e decidiu se licenciar do cargo de deputado federal. A atuação do deputado nos Estados Unidos também levou à abertura de um inquérito.

Zambelli disse que se inspirou no movimento de Eduardo ao decidir pela mudança ao exterior. Contudo, embora o filho de Bolsonaro esteja sob investigação, ele não foi condenado por nenhum crime como Zambelli.

Apesar do mandado de prisão, a inclusão de uma pessoa foragida na chamada Lista Vermelha não é imediata. Outros dois bolsonaristas procurados pelas autoridades brasileiras, os blogueiros Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio, que também têm ordens de prisão contra si, não foram incluídos no sistema de busca internacional, por decisão da própria Interpol. Santos vive atualmente nos Estados Unidos, enquanto Eustáquio está na Espanha.

A Lista Vermelha da Interpol já abrigou criminosos de vários tipos, desde terroristas, como Osama Bin Laden, a assassinos em série e políticos corruptos. O ex-governador de São Paulo Paulo Maluf, e o filho dele foi uma das pessoas que já estiveram entre os procurados pela agência. Eles foram retirados em 2016.

Atualmente, 72 brasileiros, incluindo Zambelli, estão na Lista Vermelha. Desses, sete são mulheres. Entre os homens procurados está o ex-presidente da Renault, Carlos Ghosn, acusado de fraudes financeiras no período em que comandou a montadora francesa.