O advogado Guilherme San Juan Araujo, que representa os empresários Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme, o Beto Louco, nas investigações da Operação Carbono Oculto, consultou dados cadastrais e de crédito do fundador e diretor-geral do Bastidor, Diego Escosteguy, e do jornalista Caio Crisóstomo horas depois da publicação de reportagens que revelaram detalhes da proposta de delação premiada dos dois.

A consulta foi registrada na plataforma do Serasa, com data e horário. Foi realizada pela empresa GSJA Participações Ltda, da qual Araujo é sócio, mas que não tem relação com seu escritório de advocacia. A Serasa alertou espontaneamente o fundador e diretor-geral do Bastidor, Diego Escosteguy, do acesso classificado pela plataforma como indevido. Segundo o Serasa, o uso de sua plataforma é restrito a consultas relacionadas à proteção ao crédito e à análise de risco, reguladas pela Lei Geral de Proteção de Dados.

Araujo é o responsável por negociar as propostas de delação dos empresários com as autoridades. Ele assinou a proposta de colaboração premiada entregue ao Ministério Público de São Paulo e à Procuradoria-Geral da República — o mesmo documento que deu origem à série de reportagens publicada nesta data pelo Bastidor.

Procurado pelo Bastidor, Araujo confirmou o acesso. Disse que consultou os dados cadastrais do Bastidor e de Diego Escosteguy e de Caio Crisóstomo para “o ajuizamento de medida judicial prevista em lei” em nome de seus clientes.

O escritório San Juan Araujo Advogados enviou também ao Bastidor uma notificação extrajudicial assinada por Araujo exigindo a retirada do ar, em 30 minutos, da reportagem sobre as propinas pagas por Mohamad e Beto Louco a auditores fiscais e juízes. No documento, Araujo afirma que o material é protegido por sigilo legal e que sua obtenção decorreu de “gravíssimo vazamento ilícito”.



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