Há duas semanas que o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, é queimado dia sim e outro também a Lula. Os petistas não perdoam Silveira por ter ignorado suas sugestões para o Conselho de Administração da Petrobras.

As indicações ocorreram no fim de fevereiro, mas só serão oficializadas nas função em abril, na assembleia-geral da companhia.

A fritura de Silveira chegou ao ponto de haver um alinhamento entre Jean Paul Prates, presidente da estatal, e a Federação Única dos Petroleiros, um dos braços sindicalistas do PT.

A relação entre um presidente da Petrobras e os sindicatos dos trabalhadores da empresa raramente é afinada. Desta vez, a exigência em comum é a troca de Silveira.

São duas as principais frentes: uma no sentido de que Silveira escolheu somente nomes ligados ao mercado e que simpatizam com a privatização da Petrobras; a outra, encampada pela presidente do PT, a deputada Gleisi Hoffmann, é de que o ministro está próximo de Romeu Zema, governador de Minas Gerais e possível candidato da direita à Presidência da República em 2026.

Dos seis nomes indicados pelo ministro, um já caiu: Wagner Victer, ex-diretor da Cedae, ex-secretário da Educação do Rio nas gestões de Sergio Cabral e Luiz Fernando Pezão, ambos do MDB.

Para a sua queda, a desculpa foi suas péssimas relações. Não contaram, porém, que Victer é ligado ao petista André Ceciliano, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Ceciliano não segurou o aliado diante da pressão – nem Lula. Mas a insatisfação do PT não tem a ver Silveira, nem com Victer. Tem a ver com o controle da Petrobras e do Ministério de Minas e Energia, admite um petista que acompanha a disputa de poder.