Sergio Moro e pessoas próximas a ele fazem as contas e refletem sobre as vantagens e as desvantagens da migração do ex-juiz para o União Brasil. A mudança, se concretizada, ocorreria poucos meses depois de o político se filiar ao Podemos e ser lançado à Presidência pelo partido.
O Bastidor já mostrou que há conversas (ainda que embrionárias) sobre o assunto – mesmo que uma mudança seja improvável – e que ACM Neto é um dos contrários a esse movimento. Mas há outras resistências políticas, além de empecilhos burocráticos.
O grupo de Ronaldo Caiado também não quer ter a mesma carteirinha partidária do ex-juiz da Lava Jato. Uma fonte próxima das negociações entre Moro, Podemos e União Brasil afirmou ao Bastidor que as alianças políticas regionais e a proximidade do governador de Goiás com Bolsonaro – que vai e vem ao sabor dos ventos da política – pesam contra a migração de Moro.
Há receio na eventual migração porque o União Brasil ainda não existe formalmente. Aguarda aprovação pelo TSE. “Qual segurança jurídica disso sem a formalização pela Justiça eleitoral? Até agora só existe como nome fantasia e um movimento político”, afirmou esse articulador.
Pesa ainda contra a ida de Sergio Moro para o União Brasil a necessidade de justificar sua proximidade partidária com figuras como ACM Neto e Luciano Bivar. O baiano já foi citado em delação da Lava Jato, além de ter sido investigado por corrupção em outras ocasiões.
E Bivar é o dono do PSL, sendo sempre alvo de críticas pela equipe jurídica de Bolsonaro pela maneira com que a gestão do partido era feita antes da chegada do presidente. O político também já teve seu quinhão de investigações por corrupção e admitiu que pagou à CBF pela convocação de um jogador do Sport (clube do qual foi presidente) para a seleção brasileira no começo dos anos 2000.
Por essas e outras que o Podemos, apesar de negociar com o União Brasil, continua com seu planejamento original, de lançar Moro candidato. A cúpula da sigla de Renata Abreu tem, inclusive, discutido nomes para cuidar do marketing e da área jurídica da campanha do ex-juiz.

