Preso desde agosto, Roberto Jefferson está magoado com Bolsonaro e culpa Flávio pelo abandono presidencial que recebeu como pagamento após defender o presidente da República contra tudo e todos. Mas nem esse sentimento afastou seu partido do negacionismo bolsonarista em relação às vacinas contra a Covid e às medidas necessárias para conter o coronavírus.

No último dia 7, o PTB foi ao STF para tentar anular decretos estaduais e municipais que exigem teste negativo para Covid ou passaporte da vacina para permitir a entrada em seus domínios. Os alvos do partido dito conservador – que já andou abraçado ao PT – foram Paraíba, Rio Grande do Sul, Pará, Amazonas, Bahia e a cidade do Rio de Janeiro.

A simbiose com o bolsonarismo é tamanha que o partido repete ipsis litteris os argumentos do capitão reformado que ocupa a Presidência da República. Esquecendo da decisão do STF que garantiu a competência concorrente de municípios, estados e União no combate à pandemia, o PTB diz que esses entes federativos não têm competência para impor as restrições – que caberiam exclusivamente a Jair Bolsonaro.

E complementa com o argumento da economia também importa: “Os danos já causados são irreparáveis, sendo que muitos perderam os seus empregos e estão privados de exercer a liberdade de locomoção”.

Grande família

Roberto Jefferson deixou a presidência do PTB há 15 dias, mas deixou o partido nas mãos de Graciela Nienov, sua ex-vice-presidente que tem sua total confiança. Essa proximidade, inclusive, causou um racha na família Jefferson. Cristiane Brasil, filha do político condenado no mensalão, ficou tão enciumada com a proximidade entre seu pai e Nienov que deixou a sigla.

E o afastamento entre Jefferson e o governo só aumenta. Até a PGR deixou de defender sua liberdade(mesmo que parcial). A procuradora bolsonarista Lindôra Araújo, que costumava pedir a transferência do político para prisão domiciliar, afirmou ontem (13) que o presidente de honra do PTB deve continuar preso porque descumpriu as imposições de Alexandre de Moraes no inquérito das milícias digitais.