O FIB Bank ficou conhecido após emitir uma carta de fiança falsa à Precisa Medicamentos para permitir a assinatura do contrato para compra da vacina Covaxin com o Ministério da Saúde. As duas empresas se unem por meio de Marcos Tolentino, apontado como sócio oculto da companhia com nome de banco (mas não é), e Francisco Maximiano, dono da companhia que tentou vender o que não tinha ao governo Jair Bolsonaro.
Tolentino nega ter ligação com o FIB Bank, mas o Bastidor mostrou que ele recebeu quase R$ 2 milhões da empresa. E a criação da companhia se deu por uma fraude arquitetada indiretamente pelo advogado ligado ao PP, segundo autoridades disseram à Justiça Federal.
Informações apresentadas na decisão que autorizou a operação de ontem (28) da PF contra a Precisa mostram que duas pessoas foram usadas como laranjas para constituir a empresa e depois “vendê-la” a companhias ligadas – também por vias tortas – a Tolentino.
Geraldo Rodrigues Machado e Alexandra Pereira de Melo levaram o caso à Justiça de São Paulo para provar que foram vítimas de um golpe. A transferência do capital da empresa (R$ 10 milhões) foi feita pelo advogado Felício Rosa Valarelli Júnior.
“Na citada ata [que confirmou a transferência de capital da empresa], todas as assinaturas foram reconhecidas, exceto as assinaturas dos vendedores Geraldo e Alexandra”, afirmam as autoridades.
A posse do FIB Bank, após a operação fraudulenta, ficou com as empresas Pico do Juazeiro e MB Guassu. As duas companhias têm relações indiretas com Tolentino, como também mostrou o Bastidor.
A Pico do Juazeiro é controlada pela a B2T Prestação de Serviços, que é administrada por Tolentino – o advogado recebeu plenos poderes de gestão do dono da empresa, Ricardo Benetti. Já a MB Guassu está sediada no mesmo prédio onde está instalado o escritório Tolentino Sociedade de Advogados, com o mesmo número da banca de advocacia do operador do PP.
Para as autoridades, essa confusão empresarial “demonstra que os sócios das empresas que teriam adquirido a participação dos ‘laranjas’ Geraldo e Alexandra no FIB Bank também são sócios-‘laranja’ e suas empresas são de fachada”.

