A senadora Damares Alves vai acionar o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos, Renan Calheiros, para que viabilize o compartilhamento de documentos da CPI do Crime Organizado com o grupo de trabalho que analisa o caso do Banco Master. A área técnica do Senado apontou falta de base legal para o acesso a dados sigilosos por um colegiado sem poder investigativo.
No dia 14, quando a CPi foi encerrada, Damares apresentou um requerimento, que foi aprovado pela CAE, para ter acesso a informações consideradas relevantes para a apuração do grupo de trabalho, como operações financeiras, estruturas societárias e dados obtidos por meio de quebras de sigilo bancário.
O pedido, no entanto, esbarra em um limite jurídico: o grupo de trabalho da CAE não tem poder investigativo, por isso não pode acessar informações protegidas por sigilo, prerrogativa restrita às CPIs.
A tentativa de acesso aos dados faz parte de um movimento mais amplo dentro do Senado para manter ativa a apuração sobre o Banco Master mesmo após o encerramento das CPIs e CPMIs. Em janeiro, Renan Calheiros criou o grupo de trabalho na CAE para contornar a falta de uma CPI específica sobre o caso. Renan tem interesse eleitoral direto no caso: descobrir ligações entre seu inimigo e adversário eleitoral, o deputado Arthur Lira, e o sócio do Master, Daniel Vorcaro.
Com o fim da CPI, todo o acervo de documentos fica sob a guarda da Presidência do Senado. Caberá ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que também foi citado em investigações sobre o Master, decidir sobre eventual compartilhamento dos dados.

