Pela terceira vez, o deputado Paulinho da Força, do Solidariedade de São Paulo, adiou a entrega do seu relatório sobre um projeto que reduz as penas para os vândalos do 8 de janeiro de 2023 e os acusados de participar da trama golpista do ex-presidente jair Bolsonaro. Quanto mais tempo passa, mais difícil fica a situação para o projeto.
Nesta quarta-feira, pesquisa Genial/Quaest mostrou que a rejeição a qualquer tipo de perdão aos golpista só cresce. A rejeição à anistia subiu seis pontos percentuais em um mês, de 41% para 47%. O índice dos que são a favor oscilou um ponto, de 36% para 35%.
A opção de redução de penas dos já condenados pelo Supremo Tribunal Federal, que é o PL da Dosimetria de Paulinho, é igualmente impopular. De acordo com a pesquisa, 52% são contra reduzir as penas, pois considera que foram justas; 37% concordam, pois acreditam que foram duras.
Num momento em que o Congresso está com medo da opinião pública, não está disposto a comprar briga com as ruas depois de apanhar no caso da PEC da Blindagem, não há clima para o projeto que Paulinho relata.
O deputado ainda enfrenta há quase um mês problemas na negociação do texto, pois o PL, maior partido da Câmara, é inflexível: é contra a redução de penas, só aceita a anistia a Bolsonaro. Nesta quarta, ouviu de Davi Alcolumbre que o projeto não tem viabilidade no Senado.
Uma comparação ajuda a entender a situação. A PEC da Blindagem era impopular, mas agradava aos parlamentares. Foi aprovada. (Foi esmagada depois no Senado devido à rejeição das ruas, mas essa é outra história.) Mas, quando um projeto é impopular e não agrada a parte do Congresso, sua perspectiva é a gaveta, ainda que por algum tempo.
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