A cinco dias da convenção do PSD de Alagoas, marcada para quarta-feira (5), o ex-presidente da Câmara Arthur Lira, do PP, não está garantido como candidato ao Senado. Depende de um acordo com o ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, o JHC, com quem tem uma relação política tumultuada nos últimos dois anos.

Lira não tem um candidato ao governo do estado para apoiar, como é necessário a candidatos ao Senado. Seu principal adversário e inimigo é o senador Renan Calheiros, candidato à reeleição, que está bem amparado: tem o apoio do presidente Lula e o filho, o ex-ministro Renan Filho, como favorito na disputa pelo governo do estado.

A aliança com JHC daria a Lira o apoio necessário para buscar a outra vaga ao Senado. A questão é que JHC ainda não decidiu se será candidato ao governo de Alagoas ou ao Senado. Se for candidato ao governo, tem a possibilidade ainda de apoiar a reeleição de sua mãe, a senadora Eudócia Caldas, ou lançar como candidata sua mulher, Marina Cândida, em vez de apoiar Arthur Lira.

Os dois se uniram em 2024. À época, Lira apoiou JHC na eleição para prefeito de Alagoas, vencida com mais de 80% dos votos, e manteve espaço na prefeitura com indicações de aliados. Na ocasião, JHC era filiado ao PL. Os dois romperam quando JHC colocou em dúvida um acordo pelo qual seria candidato ao governo do estado, com as duas vagas ao Senado destinadas a Lira e ao deputado Alfredo Gaspar.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, interveio e destituiu JHC, que trocou o PL pelo PSD. Desde então, a relação entre Lira e JHC não é a mesma. Uma aliança para o governo do estado uniria PL, PP e União Brasil ao PSD, somando estrutura de campanha e tempo de televisão para JHC enfrentar Renan Filho. Mas o impasse persiste porque JHC não decidiu o que fazer.

Lira afirma que não disputará novamente uma vaga de deputado. Se PL, PP e União Brasil não fecharem acordo em torno de sua candidatura ao Senado, Lira pode buscar uma vaga no Tribunal de Contas da União, que deve ser aberta este ano pela aposentadoria do ministro Augusto Nardes. A indicação para o TCU cabe ao Congresso.

A ideia tem o apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta. Além de aliado, Motta não quer Lira de volta à Câmara, como potencial concorrente a seu projeto de ser reeleito presidente da Casa.